Quando ouviu a batida na porta, Rue pensou que era a comida dele chegando. Abriu a porta e, ao ver Polinski, tentou instintivamente bater a porta de volta, mas Polinski segurou.
— Polinski, o que é isso? — disse Rue, tentando tomar a iniciativa. — Você não tinha dito que cada um ficaria fora da vida do outro?
Polinski não disse uma palavra. Apenas sacou um maço de fotos e as lançou no rosto de Rue.
— Você é realmente repugnante.
Ele pensou que só podia ter sido cego no passado por ter tratado alguém assim como um tesouro.
Ao ver as fotos, Rue entendeu que não tinha como escapar. Cerrou os lábios, e as lágrimas despencaram de repente.
— Se você não tivesse sido tão frio e sem coração, por que eu teria recorrido a isso? Tudo é culpa sua!
Polinski chegou a rir de raiva. Então agora tudo era culpa dele?
Polinski nunca tinha ficado tão sem palavras. Não sabia de onde Rue tirava tanta presunção. Aquilo lhe parecia risível. Totalmente, absolutamente risível.
— Como foi que eu te tratei? Você acha que eu ainda devia te tratar como um tesouro, como antes? Rue, tem alguma coisa errada com a sua cabeça?
Ele não era masoquista. Como poderia continuar desejando alguém depois de ter sido traído?
— Sim, eu sou doente da cabeça. E foi você quem me estragou! Por que você teve que ser tão bom comigo no passado?
Rue despejou tudo o que lhe vinha à mente. Se Polinski não tivesse sido tão bom, por que ele teria sido incapaz de esquecê-lo por tantos anos? Se não fosse por isso, não teria voltado e não teria passado por tudo aquilo.
Portanto, era tudo culpa de Polinski.
Ouvindo isso, Polinski ficou completamente, absolutamente sem reação.
Nunca tinha conhecido alguém como Rue. O homem estava beirando os trinta e ainda assim não via problema em suas próprias atitudes, sempre empurrando a culpa para os outros. Tomava a bondade alheia como certa e, quando se afastavam, em vez de refletir, insistia que a culpa era deles.
— O maior arrependimento da minha vida foi ter te conhecido — disse Polinski, do fundo do coração. Esse era seu único arrependimento verdadeiro.
Rue não suportou ouvir aquilo e ergueu a mão para bater em Polinski. Mas Polinski era bem mais alto e se esquivou com facilidade, plantando um chute no estômago de Rue. Ele se dobrou de dor na hora.
Não esperava que Polinski partisse para a agressão. Ficou atônito por um instante e, de súbito, começou a se debater com fúria, mas seu porte não era páreo para o de Polinski. Em poucos movimentos, Polinski o dominou.
— Chega, Rue. Ninguém vai esperar por você para sempre, e ninguém vai te suportar indefinidamente.
— Todo mundo tem que pagar o preço pelos próprios atos.

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Vai ter mas atualização...