Dickson ainda não suspeitava de nada. Continuava depurando o robô quando o professor o encontrou.
— Dickson, pare o que está fazendo. Vá para casa por enquanto. — O professor o supervisionava havia meses e conhecia bem quem ele era; não acreditou no post nem por um instante. A escola já estava providenciando a remoção.
— O que aconteceu, professor? — Pelo semblante dele, Dickson percebeu que algo estava muito errado.
Sabendo que não dava para ocultar, o professor contou sobre o fórum. No instante em que Dickson entrou na rede e viu aquelas fotos, todo o sangue lhe fugiu do rosto. O terror de anos atrás voltou à tona, e de repente ele não conseguia respirar.
— Dickson. Dickson.
Uma voz familiar atravessou o torpor. Aos poucos, ele retomou os sentidos e viu Polinski olhando para ele, o rosto tomado de preocupação. Abriu a boca, tentando dizer que estava bem, mas nenhum som saiu.
Seu estado era alarmante. Com o coração apertado, Polinski o levou depressa para casa. No caminho, o telefone de Polinski não parava de tocar, mas ele ignorou todas as chamadas, mantendo uma mão no volante e a outra entrelaçada à de Dickson.
— Dickson, vai ficar tudo bem. Eu estou aqui.
Ele ouvia cada palavra de Polinski, mas simplesmente não conseguia responder.
Em casa, Polinski segurou a mão de Dickson com delicadeza, fitou-o nos olhos e disse:
— Dickson, não tenha medo. Isso ficou para trás. Aquele desgraçado já pagou pelo que fez.
— Dickson.
Dickson sabia que Polinski estava preocupado e queria responder, mas não conseguia. Aquilo de que mais se envergonhava fora exposto. Sentia-se como se tivesse sido despido e esfolado vivo diante de todos.
Vendo a dor em seus olhos, Polinski não o forçou a falar; apenas o envolveu nos braços, acolhendo-o e confortando-o.
O assunto tomou tal proporção que chegou aos ouvidos de Sierra. Jonathan agiu rápido, mandando apagar todas as fotos em circulação, mas ambos sabiam que o estrago já estava feito.
— Descobriram quem fez isso? — perguntou Sierra, genuinamente furiosa. Aquele garoto, Dickson, lutara tanto para seguir em frente e só fora feliz por menos de dois anos. Agora, ela temia que tudo voltasse à estaca zero.
— Foi o ex-namorado do Polinski. — Jonathan se moveu com rapidez e apurou tudo. Ao ouvir que era aquele homem de novo, o desagrado de Sierra ficou evidente. — Já mandei detê-lo. — Ao falar, Jonathan olhou para Sierra. O que viria depois dependia dela.
— Vou ver o Dickson primeiro. — No fim, a preocupação falou mais alto, e ela dirigiu até a casa deles.
Polinski abriu a porta. Estava abatido. Ao ver Sierra, a primeira coisa que fez foi se desculpar:

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Vai ter mas atualização...