“Você quer o laboratório? Você está louca?” Bradley deixou escapar sem pensar.
Ele presumiu que Sierra pediria roupas, bolsas, algo normal. Mas não, ela teve que abrir a boca e exigir algo ilógico.
Um laboratório que custou milhões para o Grupo Xander construir. Um laboratório que era crucial para o negócio farmacêutico deles.
Como ele poderia dar aquilo a ela?
Bradley estava prestes a dizer mais, mas viu o sorriso debochado no rosto de Sierra. Lembrando-se do que tinha acabado de dizer momentos atrás, ele se forçou a ajustar seu tom.
“O laboratório não é algo que eu possa decidir sozinho. E mesmo se você o tivesse, não saberia como usá-lo.”
Então, como se tentasse acalmá-la, o rapaz acrescentou: “Que tal eu comprar algumas roupas para você? Você não gostou das que a Denny escolheu ontem, certo? Vou comprar algumas do seu gosto. Seja boazinha, ok?”
Seja boazinha?
Sierra soltou uma risada.
O que ela realmente queria, eles se recusaram a dar. O que não queria, os mesmos enfiavam em suas mãos, agindo como se fosse um grande ato de gentileza.
E ela ainda deveria ser grata por isso?
Para quê? Para obedientemente concordar com o que os Xanders decidissem?
Suprimindo a raiva em seu olhar, Sierra falou friamente: “Não precisa se incomodar, Sr. Xander. Eu cuido dos meus próprios assuntos. E sobre a situação da minha avó? Você não precisa se incomodar com isso também.”
A irritação de Bradley aumentou.
“Já chega!”, ele retrucou. “A situação da sua avó é culpa dos seus pais gananciosos. O que isso tem a ver comigo? Eu já fiz mais do que o suficiente. O que mais você quer?”
Então, como se algo dentro do seu peito tivesse se quebrado, ele rosnou: “E eu sou o seu irmão! Pare de me chamar de Sr. Xander!”
Bradley era o tipo de pessoa que raramente perdia a paciência, mas agora? Ele estava furioso!
Furioso com a ingratidão de Sierra. Furioso por ela se recusar a ouvi-lo.
As coisas não estavam bem antes?
Por que ela tinha que se tornar tão brusca e inflexível agora?
Sierra levantou o olhar para encará-lo. De repente, os cantos dos seus lábios se curvaram em um leve sorriso.
“Pais gananciosos?”, ela repetiu. “Meus?”
Bradley enrijeceu.
Só então ele se lembrou.
James e Yulia não eram os pais de Sierra, mas sim os de Denny.
Antes que Bradley pudesse falar algo, a voz dela soou em seus ouvidos novamente.
“Viu só?” Seu tom era quase casual. “Você nunca pensou em mim como família em primeiro lugar. Então, me diga, o que há de errado em eu chamá-lo de Sr. Xander?”
Após dizer isso, Sierra se virou e saiu, mas suas palavras ficaram com Bradley, cortando mais fundo do que ele queria admitir.
Seus lábios se apertaram e a irritação se torceu em algo mais pesado, algo mais próximo do arrependimento.
Vim até aqui para me desculpar e consertar as coisas.
Como tudo acabou assim?
Então, ele se lembrou de que ainda havia o assunto de Denny.
Bradley franziu a testa e discou um número.
Trinta minutos depois, ele chegou à Universidade Northwind, onde Evan já o esperava.
“O que houve?”, ele perguntou.
“Fique de olho em Sierra.”
Evan o encarou, levantando uma sobrancelha. “Por quê?”
“Algo aconteceu.”
Bradley explicou rapidamente a situação: o sofrimento de sua avó e os anos de tormento que Sierra suportou na prisão.
A expressão de Evan escureceu.
“O que diabos os carcereiros e o diretor da prisão estavam fazendo? Eles ficaram apenas parados enquanto ela apanhava?”
Bradley não respondeu.
Evan tinha passado a vida enterrado em estudos. Ele não entendia lugares como aquele.
A prisão era um lugar onde as pessoas eram comidas vivas.
Bradley pensou que tinha cuidado das coisas. Mas de alguma forma, por alguma reviravolta do destino, Sierra não recebeu proteção alguma.
Evan exalou bruscamente, reunindo seus pensamentos. “Mandei uma mensagem para a Denny. Ela vem depois da aula. Vamos perguntar a ela o que aconteceu.”
Bradley assentiu.

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Vai ter mas atualização...