— Outra garrafa… — Com a voz abafada pelo som do bar, Kris deixou escapar um murmúrio quase imperceptível.
— É para já, senhor. — Respondeu o barman, assentindo rapidamente.
Assim que a garrafa gelada alcançou suas mãos, deslizando pelo balcão, Kris deu um trago profundo, bebendo o quanto pôde até sentir a garganta arder com o gás e ser forçado a cessar.
— Eu sabia que te encontraria aqui. — Disse uma voz familiar atrás dele, assim que ele pousou a garrafa.
— Quase desisti de procurar quando não te vi no camarote VIP — Admitiu Alden, acomodando-se no banco ao lado de Kris.
Ao notar a garrafa de cerveja diante dele, Alden sentiu um alívio imediato, contente por não ser uísque ou conhaque. Então, fez um sinal para o barman.
— Uma garrafa para mim também!
Kris ergueu a cerveja novamente e deu outro gole, fazendo Alden estremecer em simpatia ao imaginar como aquilo descia queimando pela garganta. Mas sabia que o amigo precisava daquilo.
— Fiquei sabendo a respeito do ocorrido no evento... — Comentou Alden, assim que recebeu sua própria garrafa.
— Grande coisa. Basta surgir uma notícia para se espalhar pela internet feito fogo. — Resmungou Kris.
— Esse tipo de notícia, então, nem se fala… — Continuou Alden, sem se importar com o raro momento de sarcasmo do amigo. — Está realmente feio, Kris.
Kris finalmente virou o rosto para ele, franzindo a testa.
— Como assim?
Alden suspirou, hesitante em explicar, mas ciente de que Kris acabaria descobrindo.
— A quantidade de ódio online contra a sua mãe é impressionante. Só na última hora, as hashtags "Rainha da Sabotagem" e "Boicote à Miller Fashion" já foram postadas mais de cem mil vezes. E não parece que isso vai parar tão cedo.
E deu um gole antes de prosseguir:
— As redes estão cheias de prints de gente cancelando compras da empresa da sua mãe. Agora parece até moda boicotar qualquer coisa da Miller Fashion, e as ações não param de cair. Nesse ritmo, receio que a companhia não tenha chances de se reerguer.
Ele esperou, mas, diante do silêncio de Kris, insistiu:
— Não vai dizer nada?
Kris soltou uma risada amarga e deu outro gole de cerveja.
— O que você quer que eu diga, Alden? Que minha mãe merece o que está acontecendo com a empresa?
— Então, agora você acha que sua mãe pode ter pago a modelo e ainda mandado ela colocar a culpa em você?
Kris assentiu, embora sua mente estivesse em frangalhos. Ele já não sabia no que acreditar.
— Mas e se não tiver sido sua mãe? E se tiver sido outra pessoa? — Sugeriu Alden.
Kris o encarou fixamente.
— Quem poderia ter feito isso, se não ela? O que aconteceu apenas aumentou as chances da minha mãe vencer, além de ter intensificado o ódio que a Thalassa sente por mim, ao ponto de talvez nunca me perdoar. E era exatamente isso que minha mãe queria desde o princípio.
Ele fez uma pausa, sentindo o peso da situação cair sobre si. "Se sua mãe era capaz de algo assim, do que mais ela seria capaz?" Não queria nem considerar essas possibilidades.
Alden mordeu o lábio, escolhendo as palavras com cuidado.
— Kris, é verdade que sua mãe e a Thalassa se detestam, mas veja bem: se vocês voltassem, sua mãe só precisaria aceitá-la, mesmo a contragosto. Contudo, há alguém que enfrentaria perdas bem maiores se a reconciliação entre vocês se concretizasse...
Os dois disseram ao mesmo tempo:
— Karen...

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