— Eu... Eu sou masoquista. Meu prazer vem da dor, então, sempre que fazemos sexo, eu o faço me bater para me dar prazer.
O ambiente mergulhou em silêncio, e Zeke permaneceu imóvel, chocado demais para conseguir pronunciar qualquer coisa. Enquanto isso, o rosto de Millie se tingia de vergonha, quer fosse pela mentira, quer fosse pela verdade.
Francis, por sua vez, se aproximou e a abraçou com naturalidade, mantendo os olhos fixos em Zeke com um ar de deboche inconfundível.
— Está satisfeito agora? Está se sentindo bem por fazê-la confessar algo que a envergonha? — Ele zombou.
O som irritante da voz de Francis arrancou Zeke do estado de choque e, em seguida, ele cuspiu:
— Mentiroso desgraçado! Eu vi aqueles hematomas com meus próprios olhos, e não eram de "brincadeira". A Millie nunca pediria algo assim, nunca!
Francis bufou, e sua voz soou carregada de desprezo.
— Para começo de conversa, o que acontece entre quatro paredes não diz respeito a você. E, convenhamos, não foi de mim que você ouviu isso, foi dela. Ela gosta de intensidade, de coisas mais violentas quando estamos juntos. Não percebeu como foi difícil para ela admitir isso? Por que continuar expondo e humilhando-a?
Zeke, ainda não convencido, voltou-se para Millie com olhos suplicantes.
— Millie, você não precisa ter medo de expor esse desgraçado, porque eu estou aqui e não vou deixar nada acontecer com...
— O que você quer que eu diga, Zeke? — Millie o interrompeu, deixando a frustração transbordar em sua voz. — Já não fez o bastante?
— Está vendo? — Francis sorriu com arrogância, puxando Millie para mais perto e beijando-lhe a testa, deixando um rastro de sangue onde seus lábios tocaram. — Veja só o que você causou… Fez a minha garota chorar!
Ele levou a mão ao rosto dela, afastando uma mecha de cabelo e acrescentou:
— Amor, eu sei que você sente vergonha das suas preferências, mas preciso que entenda: isso não muda nada pra mim. Eu te amo exatamente como você é, e sempre vou amar. Então, por favor, não dê ouvidos a esse idiota.
Zeke cerrou os punhos e se sentiu dividido, já que queria acreditar que estava certo e que Millie apenas tentava proteger aquele canalha, porém, se ela estivesse dizendo a verdade, significava que ele a havia humilhado diante de todos por algo que deveria ter permanecido em segredo.
Então, ele deu um passo à frente.
— Millie, eu...
— Vá… — Ela sussurrou, com a voz trêmula, mas firme, enquanto enxugava as lágrimas. — Por favor, apenas vá, Zeke.
De coração pesado, Zeke assentiu de forma desajeitada antes de se virar e sair do bar, com a mente em turbilhão. "Será que havia se equivocado? Mas, se não… Por que alguém como Millie permaneceria ao lado de um homem como Francis?"
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Na manhã seguinte, Luisa encontrava-se em seu escritório, ocupada ao telefone:
— Por favor, fique de olho na logística, pois precisamos garantir que estamos trabalhando com a transportadora mais confiável, e atrasos ou ineficiências não serão tolerados. Certo, obrigada.
Ela encerrou a ligação com um suspiro cansado, já esgotada apesar de o dia ainda estar no início.
Foi então que uma batida discreta soou na porta, logo antes de sua secretária entrar.
— Luisa, alguém está aqui para vê-la.
Luisa franziu o cenho.
— Quer dizer Thalassa, não é? — Ela retrucou, tentando disfarçar a amargura na voz. "Como pôde ser tão ingênua a ponto de pensar que ele estava ali por qualquer outro motivo além de obedecer a ordens de Kris?" Deveria ter imaginado…
— Sinto muito, mas hoje estou muito ocupada, como minha secretária já lhe disse. — Respondeu, em um tom mais frio do que pretendia.
Então, ela se virou em direção à mesa, fingindo organizar alguns papéis para esconder o tremor em suas mãos.
Alden, por sua vez, amaldiçoou Kris em silêncio, odiando ter sido forçado a fazer aquilo, pois sabia o quanto Luisa ficaria decepcionada e como pensaria que ele a estava usando outra vez. No entanto, já que Thalassa havia bloqueado todas as formas de contato de Kris, essa era a única alternativa.
— Eu sei. — Ele disse, suavizando a voz. — E lamento interromper seu trabalho, mas isso é importante.
— Se você veio apenas para repetir o que Kris disse sobre Clark outro dia, não se dê ao trabalho. Eu já sei de tudo, e foi patético usar o passado doloroso de Clark para desacreditá-lo. — Ela disparou. — E eu não acredito que você ainda defenda Kris, mesmo depois do que ele fez com a nossa coleção. Era minha também, sabia?
— Luisa, eu posso jurar pela minha vida que Kris não teve nada a ver com aquela sabotagem.
— Claro! Você é amigo dele… — Luisa retrucou, gelada.
Alden estremeceu, sentindo uma pontada aguda no peito, porque ela realmente achava que ele mentiria para ela. — Sou amigo dele, sim. E é exatamente por isso que sei que ele nunca seria capaz de machucar a Thalassa. Fazer isso seria como se ferir, porque é assim que ele a ama… Com uma intensidade que se confunde com a própria dor.
Luisa soltou uma risada amarga, virando-lhe as costas para encarar a janela.
— Não fale de amor quando tudo o que ele fez foi machucá-la.
Alden suspirou, percebendo que aquilo seria ainda mais difícil do que havia imaginado.

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