O pânico tomou conta da expressão de Luisa.
— Meu Deus, se você estiver certo, preciso avisar Thalassa imediatamente. Ela tem que saber que Clark é perigoso!
Percebendo como sua respiração ficou cada vez mais curta, Alden levou as mãos ao rosto dela com delicadeza, envolvendo-o.
— Ei, ei... Respire, Luisa. Vai ficar tudo bem. — Ele a acalmou.
Luisa assentiu e seguiu o conselho, puxando o ar com força para tentar controlar os nervos, embora a ansiedade ainda permanecesse latente.
— Eu não consigo acreditar nisso… — Murmurou. — Eu estava empurrando Thalassa para Clark porque pensei que ele fosse um bom homem, que a faria feliz. Meu Deus, agora preciso convencê-la do contrário!
— Você vai conseguir. — Alden a tranquilizou, mantendo a voz firme. — Mas primeiro, acalme-se. Podemos estar lidando com muito mais do que imaginamos em relação a Clark, e precisamos agir com cuidado, de cabeça fria. Consegue fazer isso?
Ele continuou com a mão em seu rosto, mantendo os olhos dourados fixos nos dela, e foi nesse instante que Luisa se viu tomada por uma estranha atração, envolvida pelo calor que irradiava daquele olhar. Logo, sentiu o peito apertar tanto que precisou buscar o ar pela boca, e, sem notar, passou a respirar no mesmo ritmo que ele, com os lábios quase tocando-se, aquecidos pelo hálito quente que vinha dele.
Os dois se inclinavam lentamente, como se puxados por uma força silenciosa, e Luisa já estava certa de que ele a beijaria, quando uma batida abrupta na porta cortou o instante em pedaços. Reagindo num salto, afastaram-se imediatamente, e a porta se escancarou com Zeke do outro lado.
— Mana, espero não estar... — As palavras de Zeke morreram quando ele viu Alden, e sua expressão se endureceu de imediato.
— O que diabos você está fazendo aqui? — Ele rosnou, com a voz baixa, mas transbordando raiva. — Quantas vezes eu preciso dizer para ficar longe da minha irmã?
Luisa imediatamente se colocou diante de Alden, cravando um olhar duro no irmão.
— Zeke, não comece. Você não tem nenhum direito de afastar as pessoas da minha vida. Só eu posso decidir quem quero por perto.
O rosto de Zeke se retorceu em incredulidade.
— E você está escolhendo deixar "ele" se aproximar, mesmo sabendo que é amigo de Kris? Já esqueceu o que Kris fez com você e com Thalassa?
— Eu não acredito mais que tenha sido Kris.
Zeke ergueu as mãos no ar, incrédulo.
— É exatamente por isso que ele está aqui! É óbvio que foi enviado pelo idiota do amigo dele para manipular você, e você está caindo direitinho... Não vê que ele está te usando?
— Talvez você devesse dar algum crédito à sua irmã. — Alden disse com frieza, embora a tensão ficasse evidente no maxilar travado. — Goste você ou não, ela tem inteligência suficiente para decidir por si mesma.
Zeke franziu o rosto em desagrado.
— Eu não pedi sua opinião. E em nenhum momento afirmei que ela não é inteligente, só quero protegê-la de caras como você.
As narinas de Alden dilataram.
— Ainda que o Kris fosse exatamente como você diz, o que isso tem a ver comigo? Por que tanta implicância comigo?
— Já ouviu aquele ditado, "diga-me com quem andas e direi quem és"? — Zeke zombou.
— Uau, então agora você é devoto? Nem sabia que tinha virado tão religioso de uma hora pra outra. — Luisa ironizou, em tom afiado.
— Luisa. — Zeke sibilou, entre dentes cerrados. — Talvez você ache que estou me metendo onde não fui chamado, mas só te peço que compreenda. Mesmo sendo esperta, às vezes você deixa a ingenuidade te guiar, e é assim que acaba se ferindo.
Os olhos de Luisa ardiam com lágrimas contidas.
— Nossa. Isso foi baixo. Você sente tanto prazer assim quando suas previsões negativas sobre meus relacionamentos se tornam realidade?
O rosto de Zeke perdeu a rigidez, e o horror se refletiu em sua expressão.
— O quê? Claro que não! Você é minha irmã, Luisa. Não existe nada que eu queira mais do que ver você feliz.
Luisa soltou uma risada amarga.
— Você queria saber por que eu terminei com Victor, não é? Pois bem, aqui está: ele só me queria pelo meu dinheiro, exatamente como você disse. Quando conseguiu o que queria, deixou de me levar a sério e passou a me tratar como se eu fosse apenas uma conveniência.
— Por que não me contou antes? — Zeke perguntou, com a voz tomada pela dor.
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