— Aviso sim, caso seja necessário… — Luisa respondeu, e sua voz saiu mais afiada do que pretendia.
O sorriso de Clark se desfez por um instante, mas ele logo o recompôs, e um silêncio constrangedor pairou sobre a mesa durante alguns segundos, até que ele o quebrou com outra piada sem graça. Poucos minutos depois, a comida foi servida.
— Luisa, você tem certeza de que está tudo bem? — Perguntou Thalassa, notando que ela apenas brincava com a salada no prato, embora ela e Clark já estivessem comendo fazia um bom tempo. — Você ainda não deu uma única mordida…
— Está tudo bem, Lassa. Não se preocupe. — Luisa respondeu, forçando-se a levar uma garfada à boca para acalmar a amiga.
Ainda assim, podia sentir os olhos de Clark sobre ela a cada poucos segundos e, para não levantar suspeitas, obrigou-se a esvaziar o prato inteiro, agindo da forma mais natural que conseguia.
Quando terminaram, Clark pagou a conta e, justamente no momento em que Luisa acreditou que já estavam prestes a ir embora, ele se levantou.
— Se me permitem, senhoritas, vou ao banheiro por um instante.
Thalassa confirmou com um leve aceno, e Clark logo se afastou, dirigindo-se aos banheiros.
— Clark, o seu telefone... — Thalassa chamou, mas ele já estava longe demais para ouvir.
Assim que ele sumiu de vista, ela se voltou para Luisa, com uma expressão curiosa.
— O que foi aquilo mais cedo, Luisa? Você foi um pouco grossa com o Clark…
O plano de Luisa era esperar até que retornassem ao escritório para falar sobre isso, porém a ansiedade transbordou e ela acabou soltando:
— Lassa, você precisa se afastar do Clark…
Thalassa ficou rígida, e seu rosto se fechou.
— Luisa, do que você está falando?
Lançando um olhar em direção ao banheiro para ter certeza de que Clark não estava voltando, Luisa se inclinou. — Thalassa, ele não é o homem bom que imaginamos. Na verdade, é perigoso, e eu estou convencida de que foi ele quem planejou a sabotagem.
Os olhos de Thalassa se estreitaram e se endureceram.
— E essa convicção, vem de você? Ou é coisa do Alden… Ou, o que seria ainda pior, do Kris?
— Thalassa, o Alden não...
— Por favor, Luisa. — Thalassa a cortou. — Até ontem você me incentivava a considerar o Clark, e hoje, logo depois que o Alden apareceu, ele já se tornou perigoso? Qual foi o motivo da virada?
A decepção escureceu o olhar dela.
— Para mim, parecia que o Alden estava levando você a sério, mas, se a presença dele se deveu ao pedido do Kris, talvez eu tenha me equivocado.
Luisa estremeceu diante da dureza das palavras.
— Então, para você, a única razão de alguém querer estar ao meu lado seria por interesse oculto?
Os olhos de Thalassa se arregalaram em surpresa.
— Não, claro que não, Luisa. Só não gosto da ideia de ele estar te usando para chegar até mim.
— Me desculpe, Luisa. É possível que o Alden seja confiável e esteja apenas repetindo o que acredita ser verdade, já que ouviu do Kris, entretanto eu não confio no Kris Miller, nem um pouco.
— Thalassa... — Luisa começou, mas se calou ao ver Clark retornar do corredor.
— Podemos ir agora. — Clark disse, pegando o celular antes de lançar um olhar às duas. — Está tudo bem?
— Sim. — Luisa respondeu, forçando um sorriso tenso. — Vamos?
A viagem de volta ao escritório foi marcada por uma tensão silenciosa, ainda que Clark mantivesse sua sequência habitual de piadas.
Quando chegaram ao estacionamento, ele se voltou para Thalassa.
— Mesma hora amanhã?
— Claro. — Thalassa esboçou um sorriso que não tocou os olhos e abriu a porta para sair, sendo acompanhada de imediato por Luisa, que, sem demonstrar preocupação, sequer se despediu de Clark.
Enquanto as observava se afastando, Clark cerrou a mandíbula de raiva e puxou o celular para desbloqueá-lo, já que o comportamento nervoso e impaciente de Luisa o deixara desconfiado, sobretudo depois da visita do amigo de Kris.
Por isso, havia configurado o aparelho para gravar a conversa entre ela e Thalassa quando saiu para o banheiro, e, ao apertar o play, seus dentes rangeram, pois a fúria aumentou a cada palavra de Luisa tentando convencer Thalassa a se afastar dele.
— Garota estúpida! — Murmurou, com um sorriso sinistro surgindo em seus lábios. — Por que deixou que te virassem contra mim, Luisa? Eu gostava de você... Gostava de verdade! Mas você não vai arruinar meus planos. De jeito nenhum!
Atirando o celular de lado, Clark abriu o porta-luvas e retirou outro aparelho, que estava conectado a uma rede privada impossível de rastrear, e, sem hesitar, discou um número.
— Akim, aqui é Clark Morgan. Tenho um trabalho para você e não admito erros.

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