Thalassa não foi a única pega de surpresa com a oferta de Luisa. Kris e Alden também ficaram igualmente chocados.
— O quê? — Kris perguntou, querendo confirmar se tinha ouvido direito.
— Sim. Já que você não mora mais com sua família, gostaria que ficasse conosco por uma semana, até que sua ferida cicatrizasse um pouco mais. — Luisa repetiu, sorrindo amplamente. — E então, o que me diz? Aceita?
Thalassa ficou ainda mais rígida, mantendo o rosto inexpressivo, embora seus olhos incrédulos permanecessem fixos em Luisa, que parecia alheia à reação dela.
— Ah... Claro, eu gostaria de ficar com vocês. — Respondeu Kris, ainda atônito, enquanto lançava um olhar em direção a Thalassa. — Mas só se ela concordar.
Thalassa se enrijeceu ainda mais ao perceber que todos os olhares estavam voltados para ela, sobretudo o de Kris, cujo olhar era esperançoso e suplicante.
Seus lábios, no entanto, se curvaram em um sorriso duro.
— Por que está pedindo a minha permissão? A casa pertence à Luisa tanto quanto a mim, portanto ela tem todo o direito de decidir. Com licença, preciso cuidar de outra coisa.
Dito isso, ela se virou e deixou o quarto, e Kris, ao vê-la ir embora, teve a expressão desfeita, sentindo suas esperanças murcharem."O que ele realmente tinha esperado? Que ela ficasse feliz com a ideia de passar uma semana sob o mesmo teto que ele?"
— Eu já volto… — Luisa disse, indo atrás de Thalassa.
No corredor, ela avistou Thalassa se afastando com passos firmes e tensos.
— Lassa! — Chamou, apressando-se para alcançá-la.
Thalassa parou, mas não se virou, forçando Luisa a dar a volta e se colocar à sua frente.
— O que foi, Luisa?
Luisa examinou a expressão e a postura da amiga.
— Você está chateada.
Thalassa quase se engasgou com a descrença.
— Ela recusou, não foi? — Kris perguntou de imediato.
— Não, de forma alguma. Ela aceitou exatamente por não se sentir incomodada com isso. — Luisa mentiu, forçando um sorriso.
Kris estreitou os olhos, desconfiado. "Aquilo não podia ser tão fácil, certo?" Há poucos minutos, Thalassa havia lhe dirigido as palavras mais calorosas desde o retorno, mas ainda assim mantinha o semblante vazio… "Como poderia, agora, aceitar com tanta naturalidade que ele ficasse em sua casa?"
— Luisa, você tem certeza? Se isso a incomodar, então...
— Não, não a incomoda. Ela só saiu porque tinha algo importante para resolver na empresa, só isso. Então, o que me diz? Vai ficar conosco?
Ele se recordou de como Thalassa o mantivera bloqueado nos últimos tempos, e, embora sentisse dúvidas, sabia que aquela era a melhor chance de se aproximar dela, por isso não iria desperdiçar.
Assentindo, conservou a expressão neutra ao responder:
— Sim, eu aceito. Obrigado.

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