O maxilar de Zeke se contraiu.
— O que me incomoda é que você está importunando a Thalassa. É óbvio que ela não quer você por perto!
— Incomodando ela? — Kris ergueu uma sobrancelha. — E o que te faz pensar que eu estou “incomodando” ela?
— Sabe como se chama quando alguém não quer você por perto e, ainda assim, você insiste em se enfiar na vida dela? Importunação. — Explicou Zeke, com calma irritante, como se falasse com uma criança.
Kris sorriu, divertido, mas antes que pudesse responder, Zeke se virou para Luisa, com a voz subindo de tom.
— E você! Por que, em sã consciência, pensou em trazê-lo para cá, Luisa? No quê estava pensando?
Luisa soltou um suspiro.
— Zeke, você já esqueceu que foi o Kris quem salvou a minha vida? Só estava tentando retribuir de alguma forma… Ele está machucado por minha causa, e estou ajudando até que o ferimento cicatrize um pouco.
A expressão fria de Zeke vacilou por um momento, os ombros caíram ligeiramente, e ele se voltou para Kris, pigarreando.
— É... Eu ainda não te agradeci de verdade por isso. Mas eu... Eu realmente aprecio o que você fez, Kris. — Disse, assentindo com sinceridade. — Obrigado por salvar a vida da minha irmã.
— Não precisa me agradecer. — Respondeu Kris, retribuindo o aceno, e, por um breve instante, a tensão entre eles diminuiu… Até que os olhos de Zeke voltaram a endurecer.
— Mas isso não te dá o direito de tentar se infiltrar de novo na vida da Thalassa. — Acrescentou, balançando a cabeça com firmeza. — Por que você não entende que já a machucou demais e não a merece?
Kris revirou os olhos.
— E quem merece ela, então? Você?
Zeke não hesitou, sustentando o olhar de Kris sem desviar.
— Sim, eu. Eu a mereço porque nunca a machucaria como você fez. E acreditaria nela acima de qualquer outra pessoa. Ao meu lado, ela seria feliz!
Kris forçou um sorriso irônico, apesar da irritação.
— Então por que você ainda não disse para ela que está apaixonado, se tem tanta certeza de que pode fazê-la feliz?
O maxilar de Zeke se fechou, mas sua voz permaneceu controlada.
— Porque, ao contrário de você, não sou egoísta nem tento invadir a vida dela à força. Depois de tudo o que ela já sofreu por sua causa, o mínimo que posso querer é que realize o que veio buscar aqui, para que consiga se curar primeiro.
A tensão crepitou no ar como eletricidade enquanto os dois se encaravam, sustentando o olhar por um minuto inteiro sem que nenhum deles cedesse.
Diante da sua afirmativa, ele sorriu de canto.
— Olha só, isso chegou a parecer um elogio...
Luisa devolveu-lhe um leve sorriso, depois suspirou.
— Não sou eu quem dita o que o coração da Thalassa sente... Mas tudo indica que ele já decidiu.
Kris ergueu uma sobrancelha, com uma fagulha de esperança surgindo na voz.
— Está querendo dizer que o coração dela ainda me escolhe?
Ela perdeu o sorriso no mesmo instante em que o fitou com um olhar divertido, mas carregado de leve repreensão.
— Pare de tentar arrancar informação de mim. — Avisou. — Agora, saia da minha cozinha.
— Claro. — Disse Kris, esboçando um sorriso confiante enquanto saía, sentindo-se mais esperançoso do que há muito tempo.
Mesmo sem Luisa dizer nada de forma explícita, ele teve certeza naquele instante de que Thalassa ainda nutria sentimentos por ele.

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