Recobrando o controle, Thalassa lançou-lhe um olhar gélido.
— Então vou mandar os seguranças te expulsarem!
Antes que Kris pudesse responder, a voz de Betty soou atrás dela.
— Ah, vocês dois já estão acordados! Espero que tenham tido uma boa noite. Ah… O que estou dizendo? É claro que deve ter sido uma noite mágica! — Ela riu baixinho, recebendo um olhar fulminante de Thalassa, enquanto Kris esboçava um leve sorriso ao notar que Betty segurava um saco plástico preto.
Virando-se para Kris, ela continuou:
— Ontem à noite, depois de preparar o jantar, vim chamá-los para comer, mas vocês dois pareciam... Ocupados.
O rosto de Thalassa corou de vergonha ao perceber que Betty provavelmente havia testemunhado o beijo ardente deles. Então, cerrou o maxilar enquanto Kris a olhava, com um sorriso provocador surgindo em seus lábios.
— Tenho certeza de que não comeram nada ontem, e isso não faz bem. Vamos! Vou esquentar a comida para vocês comerem algo. Não quero que desmaiem.
— Não há necessidade, porque Kris está indo embora agora. — Thalassa se apressou em dizer.
O sorriso de Betty vacilou, com a confusão passando por seu rosto.
— Ah... Ele não pode ir depois do café? É que…
— Não. — Thalassa a cortou, balançando a cabeça com firmeza, rezando em silêncio para que Betty não complicasse as coisas. — Ele pode tomar café no hotel ou em outro canto.
Ainda com uma expressão confusa, Betty ergueu o saco plástico e o entregou a Kris.
— Aqui. Lavei e sequei suas roupas encharcadas de ontem.
Kris abriu um sorriso grato.
— Obrigado, Betty. Você é um anjo. — Pegando o saco, ele se virou para entrar no quarto de Zeke, onde ele e Thalassa tinham passado a noite, mas a voz dela o deteve.
— Aonde você pensa que vai?
Kris parou, voltando-se para ela com um sorriso amargo.
— O quê? Nem me permite tomar um banho e trocar de roupa antes de ir embora?
— Não. Você pode tomar banho quando voltar para o hotel. Quanto as roupas do Zeke, pode ficar com elas.
Kris a fitou por um longo momento, com as sobrancelhas se unindo em completa confusão.
— Por que está tão desesperada para que eu vá embora, Thalassa?
Ela bufou.
— Porque não quero você perto de mim. Já te disse isso mil vezes... Você é quem insiste em não ouvir.
Ele continuou a encará-la, com o olhar se endurecendo, até que assentiu devagar.
— Vou embora, como quer, mas...
As palavras dele foram interrompidas pelo som inconfundível do choro de uma criança. Era um choro de menino e vinha do quarto que Thalassa tinha sido tão enfática em manter fechado para ele na noite anterior.
— Não, você não pode vê-lo. Alex… Não é acostumado com pessoas e se assusta com estranhos. Por isso, não deixei você entrar no quarto ontem à noite. Ele provavelmente está chorando agora porque ouviu sua voz. — Ela mentiu, mantendo o tom firme apesar do caos dentro de si.
— Ah… — Kris murmurou, franzindo o cenho, sem entender por que ela respirava tão pesadamente.
Assim que Betty entrou no quarto e fechou a porta, Thalassa se virou para Kris.
— Será que pode ir agora?
O coração de Kris se apertou ao perceber que ela realmente estava tentando agir como se a noite anterior não tivesse significado nada, mas ele não se deixou abater. Arriscando um passo à frente, pousou a mão de leve na bochecha dela, esperando que ela o afastasse, mas, para sua surpresa, ela não fez nada.
— Pode tentar me afastar o quanto quiser, Lassa. — Disse ele baixinho, com a voz carregada de convicção enquanto a encarava. — Mas não vou desistir de nós. Não depois de você ter me mostrado ontem à noite que ainda me ama tanto quanto eu te amo, mesmo que não admita.
E antes que ela pudesse responder, ele se inclinou e a beijou.
Tomada pela culpa, Thalassa se sentiu impotente enquanto os lábios dele reivindicavam os seus por vários segundos, até que ficou sem ar.
Depois que ele finalmente se afastou e desceu as escadas, ela o observou atentamente, certificando-se de que ele deixasse a casa antes de voltar para o quarto de Betty.
Ao entrar, Betty já a esperava, com o rosto cheio de perguntas.
— Você mentiu para ele, Thalassa... Por que disse que eu sou mãe do Alex e não babá dele?
Os olhos de Thalassa se voltaram para o lindo garotinho de três anos sentado na caminha infantil, e uma lágrima escorreu pelo seu rosto quando ela sussurrou:
— Porque ele nunca pode saber, Betty. Kris nunca pode saber que Alexander é nosso filho.

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