Thalassa estava pronta para lutar, mas, ao ouvir a voz familiar acompanhada pelo perfume que conhecia bem demais, suas defesas se desmoronaram.
— Thalassa, sou eu. — Kris sussurrou de forma suave em seu ouvido, com o sopro quente de sua respiração roçando sua pele.
— Kris. — Ela arfou, com o coração disparando de repente com a proximidade dele, enquanto Kris a soltava devagar, permitindo que ela se virasse para encará-lo.
— O que você está fazendo aqui? — Ela exigiu, sem entender por que havia se acalmado no instante em que percebeu que era ele, pois deveria estar furiosa com a invasão, mas sua voz não carregava a raiva que gostaria de mostrar.
— Fui até a casa do Zeke hoje de manhã… — Kris começou. — Apenas para descobrir que você já tinha voltado para Baltimore. Achei que ficaria mais tempo em Nova Luz.
Apesar de as luzes estarem apagadas, a lua iluminava o suficiente para que ela percebesse a curiosidade nos olhos dele.
— Por que você foi até lá, afinal?
Thalassa fez uma careta, arqueando a sobrancelha.
— Veio aqui só para me interrogar?
Kris balançou a cabeça rapidamente e respirou fundo.
— Não, vim porque senti sua falta de um jeito insuportável e precisava ver você.
O coração dela deu um solavanco doloroso ao ouvir aquelas palavras, mas ela afastou o sentimento e recuou quando ele tentou se aproximar.
— Como você conseguiu entrar? — Perguntou em tom frio, lançando-lhe um olhar desconfiado.
Os lábios de Kris se curvaram em um leve sorriso.
— Como acha que entrei da primeira vez em que vim aqui?
Quando o olhar dela se deteve no ombro dele, Kris soltou uma risada baixa.
— Não, não sou tão imprudente, pois escalar com o ombro ainda em recuperação seria impossível. Usei o quintal desta vez. — Explicou, piscando para ela. — Vantagens de ter morado aqui alguns dias, já que agora conheço todas as formas de entrar.
— Pois você não mora mais aqui. — Ela retrucou de forma ríspida. — Então isso é invasão.
Kris deu um passo à frente, mantendo os olhos fixos nos dela.
— É mesmo? — Questionou, com a voz soando mais grave. — Então por que não está chamando a segurança para me expulsar?
Ela travou o maxilar e desviou o olhar.
— Porque não estou interessada em causar uma cena.
Diante da resposta, ele sorriu e encurtou a distância entre os dois, pousando a mão na cintura dela com suavidade, de forma que os dedos roçaram sua pele através do tecido fino do vestido.

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