— Nossas vendas caíram três por cento desde que o comunicado foi divulgado, porque um pequeno grupo está especulando que você planejou a sabotagem de propósito para culpar a Linda. — Luisa informou, andando de um lado para o outro em frente à mesa.
— Certo. O que mais? — Thalassa perguntou, com o tom calmo.
Luisa parou, erguendo uma sobrancelha incrédula.
— O que mais? Thalassa, você parece nem se importar…
Thalassa suspirou.
— Luisa, nossas ações e vendas subiram mais de cem por cento depois do Fashion Awards. Por que eu me preocuparia com uma queda de três por cento?
Luisa balançou a cabeça, incrédula.
— Certo, mas e isso? As vendas da Miller Fashion subiram quase doze por cento. Se continuar assim, elas vão voltar ao nível em que estavam antes dos prêmios.
Thalassa manteve-se impassível.
— O que ainda está bem longe do que foram um dia. E não se preocupe, essa recuperação não vai durar.
Luisa se deixou cair em uma das cadeiras.
— Queria ter essa sua confiança. Tem certeza de que esse plano vai mesmo funcionar?
Thalassa franziu os lábios, com o olhar pensativo.
— Nada é garantido, Luisa. Temos que correr o risco.
— Mas será que vale a pena? — Luisa hesitou. — Vale a pena fazer isso com o Kris?
A expressão de Thalassa vacilou, mas, antes que pudesse responder, bateram à porta. Logo, Juana entrou, com o rosto tenso.
— Senhora, há muitos repórteres lá fora querendo falar com a senhora. Vai recebê-los?
Thalassa refletiu brevemente e balançou a cabeça.
— Não. Diga que não darei entrevistas nem responderei perguntas, e que tudo o que eu tinha para dizer está no comunicado.
Nesse instante, o telefone de Luisa tocou. Ela o pegou da mesa e franziu o cenho ao atender.
— Oi, Kris... Ai, desculpa mesmo. Eu já vou pedir para ela resolver isso.
Thalassa ergueu a sobrancelha quando ela desligou.
— O que foi? Por que o Kris te ligou?
Luisa estreitou os olhos.
— Porque você ainda o mantém bloqueado? Ele está lá fora, cercado por repórteres, e os seguranças não o deixam entrar, já que você não revogou a ordem que impede sua entrada.
— Merda. — Thalassa xingou baixo, pegando o telefone e discando para o chefe de segurança. — Permitam a entrada do Sr. Miller no prédio. Ele não está mais restrito de vir aqui.
— Sim, senhora. — O segurança respondeu.
— Ele obviamente veio por causa do comunicado. O que você vai dizer quando ele perguntar por que fez isso? — Luisa perguntou, cheia de preocupação e curiosidade.
— Não se preocupe. Sei o que dizer. — Thalassa respondeu com firmeza, mas o brilho de incerteza passou por seus olhos.
— E se ele não acreditar? E se achar que tem algo de errado?
Sem resposta, Thalassa ouviu novamente a batida na porta um minuto depois, levantando-se para abrir ela mesma.
— Oi. — Kris cumprimentou, esboçando um leve sorriso.
— Está tudo bem. Por favor, deixe-nos a sós.
A secretária hesitou, mas acabou saindo. Assim que a porta se fechou, o rosto de Luisa se obscureceu de raiva.
— O que você acabou de me chamar?
— De covarde. — Alden repetiu, com a voz firme, avançando na direção dela. — Quer que eu repita? Você é uma covarde que está se escondendo dos próprios sentimentos porque tem medo!
As narinas de Luisa inflaram, com o olhar faiscando de fúria.
— Você não sabe de nada, Alden.
— Sei, sim. — Ele rebateu, puxando-a de repente para perto, envolvendo-a com força pelo braço. — O que aconteceu com a Vanessa não é o motivo de você me evitar… Você me evita porque tem medo do que sente quando está comigo.
— Não seja tão presunçoso. — Luisa zombou, sentindo a respiração falhar. — E, para constar, não tenho medo de nada.
— Tem, sim. — Alden afirmou, sem desviar o olhar. — Embora nunca tenhamos falado muito sobre nossos relacionamentos anteriores, sei o bastante para perceber que, em todos, você foi subestimada, se contentando com migalhas até ser traída. Isso te fez insegura e agora tem medo de entregar o coração, achando que será deixada de lado de novo…
Ele se aproximou ainda mais, com o olhar preso no dela.
— Mas, meu bem, eu não sou “qualquer homem”, e certamente não sou nada parecido com seus ex-namorados. Quando amo, faço da felicidade da minha mulher a minha prioridade.
Luisa congelou, com o coração falhando uma batida.
— Quando… Ama?
Alden revirou os olhos, exasperado.
— Sim. Eu amo você pra caralho, Luisa Mathews. Está claro o bastante ou quer que eu desenhe?

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