— Você disse que queria conversar? — Thalassa perguntou ao se afastar de Kris e gesticular para o sofá. Ele assentiu, mas não soltou a mão dela, puxando-a suavemente para sentar ao seu lado.
— Vi o comunicado e, é claro, todo mundo está comentando sobre isso. — Kris começou, com a voz carregada de preocupação. — Só quero saber por que você fez isso… Por que decidiu limpar o nome da minha mãe.
Thalassa engoliu em seco, mas manteve a expressão neutra.
— Você chegou a me pedir isso, não?
Kris assentiu, com o arrependimento estampado no rosto.
— Sim, mas me desculpei no cartão que enviei, porque percebi que foi errado da minha parte pedir algo assim. Você não deveria ter se sacrificado por minha causa…
— Eu não fiz por você, Kris. — Thalassa respondeu, com a voz firme.
Kris franziu o cenho, confuso.
— Não fez?
— Não, eu fiz por mim. — Disse com convicção, observando a expressão perplexa dele. Então, ela suspirou e continuou: — Só estou cansada, Kris, cansada de guardar tanto ressentimento e raiva. Quero ser capaz de esquecer o passado, porque sei que esse é o único jeito de ser feliz.
Kris pressionou os lábios, com a dúvida passando em seus olhos, fazendo o coração dela falhar uma batida.
— Eu entendo você querer seguir em frente e me dar uma chance, e sou grato por isso, mas a minha mãe... Por que você ajudou ela, Thalassa? Você a detesta, e, da última vez que falamos, estava convencida de que ela era responsável pela perda do nosso bebê.
Thalassa já esperava essas perguntas, mas ver a desconfiança nos olhos dele fez seu peito se apertar de culpa, então ela se levantou rapidamente, virando-se de costas, incapaz de encará-lo ao dizer a mentira que estava prestes a contar.
— É porque percebi que posso ter me equivocado. O homem que me atacou nunca mencionou o nome da sua mãe… E eu só presumi que fosse ela, porque achei que tinha me incriminado no desfalque. — As palavras saíram como espinhos, doendo ao serem ditas, pois eram o oposto do que ela sentia. — Mas, desde que você me explicou que sua mãe apenas seguiu as provas que recebeu, fiquei pensando nisso e percebi que... Talvez eu tenha me enganado.
— Lassa... — Kris chamou, com a voz suave, carregada de choque. — Tem certeza disso? Não precisa mudar de ideia, eu já pedi ao meu in…
— Sim, tenho certeza. — Thalassa o interrompeu, ainda de costas. — Além disso, ela é sua mãe, Kris, e você a ama, então, se vamos ficar juntos, não quero tensão entre nós ou com a sua família.
Atrás dela, o coração de Kris se aqueceu, e seus olhos se encheram de lágrimas.
— Você faria isso? Por mim? Mesmo depois de tudo o que a minha família fez com você?
A garganta de Thalassa se fechou.
— Sim.
Logo, braços quentes a envolveram por trás, puxando-a contra ele. A presença de Kris fez uma onda de emoção a atravessar, junto com uma culpa esmagadora.
No entanto, ela afastou o sentimento, pois não tinha razão para se sentir culpada… O que planejava fazer era o certo.
— Era meu advogado. A Karen continua se recusando a assinar os papéis do divórcio como eu pedi. O advogado dela contestou na semana passada, e o juiz agora aceitou, então vamos ter que resolver tudo na Justiça, incluindo a guarda da Tessa.
A revelação a chocou
— Eu acho que ela se afeiçoou a você de tal forma que não seria fácil deixá-lo ir. — Murmurou, com as palavras escapando antes que pudesse se conter.
Kris ficou tenso, com a dor passando em seus olhos diante do amargor na voz dela, e se aproximou rapidamente, segurando a mão dela.
— Lassa, sei que você não acredita em mim, mas nunca houve nada entre mim e a Karen. Foi só uma noite... Uma noite em que bebi demais pensando em você, e eu nem lembro como aconteceu. — Ele hesitou, com a voz suavizando. — Espero que não entenda mal o que vou dizer, mas... Mesmo sem ter sentimentos por ela, não vejo aquela noite como um erro, porque foi assim que a Tessa nasceu, e ela é tudo para mim.
O amor pela filha era tão evidente em seus olhos que o coração de Thalassa se apertou dolorosamente. "Será que ele a teria olhado do mesmo jeito se soubesse sobre o nascimento de Alex logo após o parto? E, ao descobrir sobre ele algum dia, manteria o mesmo olhar?"
Diante dos pensamentos, involuntariamente, uma lágrima escorreu pela bochecha dela. Alarmado, Kris segurou seu rosto com cuidado.
— Lassa... O que foi? Eu disse alguma coisa…
Desesperada para calar o turbilhão de dúvidas, Thalassa beijou Kris com força, e ele gemeu, correspondendo com fervor, se entregando aos lábios dela, sem notar as batidas na porta ou o rangido suave quando ela se abriu devagar.
— Desculpa, Lassa. A Juana não estava na mesa, por isso… — Zeke deu um passo para dentro, mas imediatamente parou ao se deparar com a cena à sua frente.

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