— Kris, o que há de errado com você? — Susan exigiu, avançando furiosa contra o irmão. — Por que está mandando prender a mamãe?
— Isso mesmo, Kris. Como consegue sequer pensar que sua mãe seria capaz de algo assim? — Tia Cynthia acrescentou.
— Já deixei claro que, para mim, ela não é mãe alguma! — Kris sibilou.
O coração de Linda disparou enquanto o pânico a dominava. "Não, não, não, aquilo não podia estar acontecendo!"
— Mas... Mas... Kris... — Seus lábios tremeram quando deu passos hesitantes em direção a ele. — Filho, como pode dizer uma coisa dessas? Como pode imaginar que eu faria algo assim?
Então, mostrando os dentes, ela lançou um olhar cheio de ódio para Thalassa.
— Você está fazendo isso comigo só por causa dela!
Em seguida, voltou a encarar Kris com desespero nos olhos.
— Não acredito que confia nela mais do que na própria mãe. Ela te enganou, fez você acreditar que a havia perdoado, mas tudo não passou de um plano idiota para se vingar de mim. Ela te usou, Kris. Como consegue confiar em qualquer coisa que essa mulher diga?
E hesitante, levantou a mão para tocar o rosto dele.
— Eu sou sua mãe, Kris. Eu te dei a vida, todo o amor que pude oferecer. Será que você vai acreditar no meu pior só por causa daquela mulher?
O que Linda esperava era ver a expressão de Kris se suavizar, mas ele apenas segurou seus pulsos e tirou suas mãos do rosto como se o toque o incomodasse profundamente, fazendo seu coração afundar.
— O que estou fazendo não diz respeito à Thalassa. Eu mesmo já vinha investigando você, e percebi até onde suas mentiras chegaram. Não permitirei que me engane de novo, Linda.
Os olhos dele, em fúria, se fixaram no chefe de polícia.
— Eu não mandei que a tirassem daqui? Então por que diabos ela ainda está aqui?
— Sim, ela vai nos acompanhar, senhor. — Respondeu o oficial, mas logo explicou: — Por ora, será chamada apenas para interrogatório, uma vez que há suspeitas de sua ligação com tráfico humano e de drogas. Mas a prisão não pode ocorrer apenas com base em suas acusações, já que não foi registrada nenhuma denúncia sobre esse episódio em particular, nem ordem expedida pela Justiça, ambos dependentes de provas do delito.
— A denúncia será feita ainda hoje, e vocês receberão as provas antes de terminarem o interrogatório. Então poderão prendê-la imediatamente.
O oficial assentiu.
— Muito bem. Sra. Miller, por aqui, por favor.
— Não! — Linda gritou.
Até aquele momento, ainda acreditava que aquilo fosse um pesadelo, mas, ao ver o ódio nos olhos de Kris e sua determinação em mandá-la para a cadeia, a realidade começou a pesar: estava perdendo o controle sobre ele...
"Ah… De jeito nenhum poderia permitir uma coisa dessas!" Kris era o orgulho de sua vida, e enlouqueceria se o perdesse…
— Filho, você não pode deixá-los me levar. Eu sou sua mãe! Não faça isso comigo! — Implorou, tentando segurar o braço dele, mas Kris a afastou com um gesto brusco.
— Senhora...
— Eu não vou a lugar nenhum com vocês! — Linda respondeu ferozmente. — Não sou criminosa e não vou permitir que me acusem de algo que não fiz!
O chefe de polícia pressionou os lábios em uma linha de impaciência.

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