Ao recordar a expressão devastada no rosto de Kris quando a encontrou no quarto da mãe, o coração de Thalassa se apertou dolorosamente, e ela não conseguiu suportar o silêncio dele por mais tempo.
E acabou disparando:
— O quê? Está zangado comigo porque fiz o que era preciso para levar sua mãe à justiça?
— Zangado? — Uma risada sem humor escapou de seus lábios. — Em que mundo eu poderia estar zangado com você? Não, não estou zangado. Estou envergonhado.
A dor brilhou em seus olhos.
— Você me alertou várias vezes, insistindo que minha mãe estava por trás do ataque contra você e da morte do nosso filho, mas eu rejeitei suas palavras e ainda te acusei de mentir. Diante disso, como eu poderia estar zangado com você, sabendo que não sou digno nem do seu perdão?
Um olhar de desprezo por si mesmo tomou-lhe o rosto.
— Eu sabia. Eu sabia que não merecia o seu perdão nem o seu amor e, ainda assim, como um idiota, me permiti sonhar. Sonhei que você ainda me amava e que finalmente poderíamos ser felizes juntos.
Ele pressionou os lábios, com a dor nos olhos se intensificando.
— Mas eu também não merecia a sua mentira, Lassa. Já estava investigando minha mãe e, se tivesse me contado sobre suas suspeitas a respeito do envolvimento dela com o submundo, eu mesmo teria tentado recuperar as provas. Você não precisava ter se dado ao trabalho de mentir para mim ou ter me feito acreditar que ainda tinha sentimentos, quando, na verdade, nunca deixou de me odiar.
O coração de Thalassa se apertou de tal forma que o ar lhe faltou. Quis gritar que ele estava errado, quis confessar que ainda o amava a ponto de doer, mas a voz se prendeu na garganta, incapaz de escapar.
Logo, uma lágrima escorreu pela bochecha de Kris, mas ele rapidamente a enxugou antes de voltar a encarar os olhos dela.
— Eu aceito, enfim. Aceito que não voltarei a ter você comigo e sei que não há ninguém a culpar além de mim. De agora em diante, não vou mais me impor na sua vida. Está livre para seguir ao lado de quem, de fato, a mereça.
Ele avançou um passo e ergueu a mão, fazendo Thalassa acreditar que tocaria seu rosto, mas conteve o impulso e deixou-a deslizar devagar até repousar ao lado do corpo.
— Adeus, Lassa.

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