Depois de adormecer chorando, Thalassa acordou renovada, pois a tempestade emocional que a dominara na noite anterior parecia ter ficado para trás, deixando-a agora calma e serena.
Ela jurou a si mesma que não se deixaria ficar tão vulnerável novamente, já que a noite passada fora um momento de fraqueza que não pretendia repetir.
Então, ela pegou o celular, discou um número e, depois de uma conversa rápida, levantou-se da cama e seguiu para o banheiro, onde lavou o rosto com água fria e penteou os cabelos. No espelho, deparou-se com as marcas das lágrimas nas bochechas, as olheiras profundas e o semblante abatido, provas evidentes do colapso da noite anterior, e isso a fez desviar o olhar antes de terminar de se arrumar e descer, encontrando Luisa ajeitando a mesa de jantar.
— Aí está você! — Disse Luisa, erguendo o rosto. — Eu estava prestes a ir chamá-la.
Thalassa lhe ofereceu um leve sorriso de desculpas.
— Me desculpe. Ultimamente tenho deixado tudo sob a sua responsabilidade, e é você quem tem cuidado das nossas refeições todos os dias.
Luisa a dispensou com um gesto.
— Qual é, você sabe o quanto gosto de cozinhar. Fico até agoniada quando é você quem vai para a cozinha e eu não faço nada.
As duas riram juntas, e Thalassa se acomodou à mesa enquanto Luisa terminava de servir um café da manhã com ovos mexidos, torradas com abacate e suco de frutas frescas. O aroma estava delicioso, o que fez Thalassa relaxar ainda mais, de modo que começaram a comer em um silêncio confortável.
Pouco depois, Luisa tomou um gole do suco de laranja e pousou o copo com entusiasmo.
— Fiz uma pequena pesquisa na internet mais cedo, mas nem precisei ir longe. A prisão da Linda viralizou de uma forma absurda. Os vídeos dela surtando enquanto era levada estão por toda parte.
Thalassa arqueou a sobrancelha, intrigada, embora não surpresa.
— É mesmo?
— Claro. — Confirmou Luisa, com os olhos ligeiramente arregalados. — E não para por aí: nossas ações subiram mais 20% com a notícia, e todos aplaudiram o fato de termos conseguido derrubá-la. A empresa da Linda, em compensação, está arruinada, com as ações reduzidas a dez centavos por unidade. Dá para acreditar? Menos de um real, e todos os investidores que ainda estavam ligados à companhia já se afastaram publicamente.
— Ótimo.
Um sorriso lento e satisfeito se espalhou pelo rosto de Thalassa, porque na noite passada, depois da conversa com Kris, suas emoções tinham ficado tão abaladas que ela nem sequer se permitira saborear a importância da prisão de Linda.
— Mas… — Luisa hesitou, mexendo na comida. — Há um problema. A sujeira de Linda está respingando no Kris, e isso atingiu a Miller Textiles em cheio. O valor da empresa caiu quase 12% desde ontem à noite.
A expressão de Thalassa vacilou por um instante, mas logo ela retomou a postura e tomou um gole do suco.
— Mais alguma coisa?
Luisa a encarou.
— Só isso? É tudo o que vai dizer?
— O que você gostaria que eu dissesse? — Perguntou Thalassa, com a voz firme.
— Você poderia, ao menos, demonstrar alguma preocupação com o Kris. — Insistiu Luisa, incrédula. — Ele expôs a própria mãe, e a empresa dele também está sofrendo. Isso deve estar sendo difícil para ele.
Os olhos de Thalassa se endureceram.
— Kris tinha plena consciência de que isso aconteceria, sabia que expor a própria mãe mancharia a reputação da família, mas ainda assim decidiu fazê-lo.
Luisa balançou a cabeça e se inclinou para a frente.
— Ele fez aquilo por você, Lassa…
— Já esqueceu que ele me viu no quarto da mãe? — Questionou Thalassa.
Luisa franziu o cenho.
— Sim, mas eu imaginei que ele entenderia. O que aconteceu depois de você prestar o depoimento contra a mãe dele? — Durante a declaração de Thalassa, os fones se desligaram, e, por essa razão, Luisa não acompanhou o que aconteceu depois.
Foi então que a garganta de Thalassa se apertou, ao recordar as últimas palavras ditas por Kris na delegacia.
— Ele me disse que vai me deixar em paz daqui para frente, e que eu mereço ficar com alguém que seja digno de mim.
Luisa assentiu devagar.
— Entendi. Agora faz sentido…
— Entendeu o quê?
— Entendi por que você está agindo de forma tão fria. — Respondeu Luisa, suavemente. — Você se sente culpada, não é? Sente culpa por ter usado Kris para chegar até a mãe dele, e é por isso que finge não se importar, para não se sentir tão mal…
Os olhos de Thalassa se estreitaram.
— Eu não tenho motivo para sentir culpa.
Luisa não insistiu, apenas inclinou a cabeça e mudou de assunto.
— Quando você disse que estava pronta para dar uma nova chance ao amor… De quem estava falando, se não era do Kris?

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