Com o celular nas mãos trêmulas e o coração disparado, Thalassa ainda ouvia ecoar a voz de Betty: "Ele descobriu a verdade". O gelo do pânico tomou suas veias, mas, ainda assim, ela tentou sustentar a voz:
— O que você contou para ele?
— Eu não contei nada. — Respondeu Betty, com a voz tensa de preocupação. — Mas, por favor, Thalassa, não me peça para mentir para ele de novo, porque eu não vou conseguir. Ele está determinado, eu vejo isso nos olhos dele, e nada vai fazê-lo mudar de ideia.
Incrédula, mordeu os lábios com força, porque tudo o que havia feito era deixar uma mensagem de voz para Kris pedindo uma conversa, e, ainda assim, não era possível que ele já tivesse descoberto o que queria revelar. "Então, como descobrira?"
— Thalassa? — A voz de Betty a puxou de volta. — O que devo fazer?
O ritmo do pulso de Thalassa se tornou frenético, e seus pensamentos fervilhavam em busca de uma razão para Kris ter ido a Nova Luz primeiro em vez de enfrentá-la. "Estaria ele tentando arrancar Alex de sua vida?"
— Por favor, impeça a sua entrada. — Ordenou rapidamente.
Betty hesitou, mas retrucou em seguida:
— É igual da última vez, Thalassa. Ele continua parado no portão, sem qualquer intenção de sair, e só de imaginar que ficará ali o dia inteiro já me deixa à beira do desespero.
Fechando os olhos, Thalassa inspirou fundo.
— Não será necessário que ele fique o dia inteiro… — Murmurou, quase sem voz. — Estou voando para Nova Luz. Vou estar aí em menos de três horas.
Ela desligou com um arrepio percorrendo-lhe a espinha, sentindo que nada saíra como deveria, porque queria uma conversa controlada, depois que Kris ouvisse seu recado, para contar a verdade com calma.
No entanto, todo o equilíbrio que tentara preservar se quebrou no instante em que ele descobriu antes da hora, mudando o que deveria ser diálogo em confronto inevitável.
Ela não sabia se teria forças para enfrentar, mas entendia que precisava se preparar e descobrir o quanto ele já sabia. E, naquele momento, uma dúvida martelou em sua mente: "Como ele descobrira?" Seu coração despencou.
"Será que… Não!"
Assim, levantando o celular outra vez, discou o número de Luisa, que atendeu após alguns segundos.
— Lassa?
— Você me prometeu que não contaria nada para o Kris… — Acusou Thalassa, sem raiva, mas com a impotência de quem perdeu a chance de revelar a verdade.
Luisa entendeu imediatamente.
— E eu cumpri o que prometi, não falei nada, já que não cabia a mim. Mas, afinal, por que está me questionando sobre isso?
Thalassa deu crédito às palavras dela, mesmo que a sua confusão interna apenas aumentasse.
— Recebi uma ligação da Betty. O Kris está em Nova Luz… E já sabe sobre o nosso filho.
— Merda. — Murmurou Luisa.
Durante o voo para Nova Luz, Thalassa se perdeu em um turbilhão de pensamentos, revendo incessantemente cada cenário possível e cada reação que Kris poderia demonstrar.
No aeroporto, um dos homens de Zeke a recebeu, e, conforme o carro seguiu rumo ao destino, o coração dela disparou cada vez mais, até que, ao alcançar o portão, seus olhos encontraram Kris parado diante da casa, com o corpo rígido, o olhar inabalável e a expressão indecifrável, o que lhe provocou um aperto sufocante no peito.
— Oi. — Conseguiu dizer.
Sem dizer uma palavra, o menino limitou-se a encará-lo com aquele misto de cautela e curiosidade. Foi então que Kris compreendeu que o filho o enxergava como a um estranho, e, tomado por essa revelação dolorosa, sorriu de forma amarga enquanto o coração se rompia dentro do peito. "Afinal, por que não veria?"
Quase três anos haviam se passado, e para o seu filho, o pai fora apenas ausência.
Ele perdera todos os tudo: do nascimento ao primeiro choro, do passo vacilante ao aniversário, da palavra inaugural a cada conquista…
Todos os marcos importantes haviam passado sem ele, e Kris sabia que deveria ter estado lá, vivendo cada instante ao lado do filho.
O impacto da verdade foi tão brutal que a respiração se estilhaçou e o peito se contraiu, e, ao tentar se levantar, ele cambaleou, levando a mão ao coração, enquanto tudo ao redor parecia encolher até deixá-lo sem ar.
O sufoco o dominava, e o ar se negava a entrar… "Por que aquilo estava acontecendo?"
Foi então que a voz de Betty irrompeu pela névoa.
— Você está bem?
Kris balançou a cabeça, incapaz de falar, enquanto a náusea subia pela garganta.
— Venha comigo. — Disse Betty, conduzindo-o rapidamente até o banheiro da casa.
Assim que entraram, ele caiu de joelhos diante do vaso sanitário, curvando-se enquanto vomitava violentamente, com o corpo inteiro convulsionando com a força dos espasmos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Incrível Ex-Esposa do CEO Está de Volta!