Kris não conseguia tirar os olhos de Alex, hipnotizado por cada risada e cada sorriso, com o coração se enchendo enquanto brincava com o filho, saboreando a simples alegria de empurrar carrinhos de brinquedo de um lado para o outro.
Durante horas, permaneceram ali, se perdendo no mundo da criança, valorizando cada pequeno instante enquanto a risada inocente de Alex ecoava, clara e pura, fazendo-o esquecer, ainda que por pouco tempo, a tempestade que rugia dentro dele.
Foi então que a voz de Betty rompeu a bolha de paz.
— Hora do jantar. — Disse suavemente, quase em tom de desculpa por interromper o momento.
Kris ergueu os olhos, piscando ao voltar à realidade.
— Ótimo. — Respondeu, levantando-se com Alex nos braços. — Quero alimentá-lo.
Betty arqueou a sobrancelha.
— Você já fez isso antes?
Kris sorriu, escondendo por um instante a tristeza nos olhos.
— Eu tenho uma filha… Ela tem apenas dois meses a menos que o Alex, e eu a alimento o tempo todo.
As sobrancelhas de Betty se ergueram de surpresa.
— Eu não sabia disso…
— É uma longa história.
— Bem, o Alex geralmente gosta de comer sozinho. — Comentou Betty, rindo de leve. — Ele está convencido de que já é um homem feito.
Kris riu junto com ela.
— E ele já é, não é? — Murmurou, passando a mão pelos cabelos macios do filho e sentindo um aperto no peito por tudo o que havia perdido.
Então seguiram para a mesa de jantar, mas Thalassa não estava lá, e Betty colocou Alex em seu assento de criança.
— Vou chamar a Thalassa. — Disse, mas parou ao notar. — Ah, lá está ela.
Kris se enrijeceu ao levantar os olhos e perceber Thalassa se aproximando, e, embora os olhares deles tenham se cruzado por um instante, ele desviou rápido, voltando a atenção para Alex.
Logo, Thalassa tomou o assento em frente ao filho ao mesmo tempo que Betty ocupou a da ponta, servindo frango assado em pedaços pequenos para Alex, que mergulhou na refeição com entusiasmo, alheio à tensão que pairava sobre a mesa.
Marcado por um silêncio opressor, o jantar se arrastou em meio à tensão, já que Thalassa e Kris evitavam encarar-se a todo custo.
Os únicos sons eram as risadinhas de Alex e o barulho desajeitado do garfo batendo no prato enquanto ele fazia bagunça, e Kris, mesmo sorrindo diante das travessuras do menino, carregava um sorriso amargo.
Quando terminaram, Betty se levantou para recolher os pratos.
— Kris, poderia me ajudar a limpar a mesa?
Ele concordou em voz baixa.
— Sim. Obrigado.
Ir embora estava fora de questão, não quando tinha tanto a recuperar com Alex.
Betty sorriu com delicadeza.
— Eu vou cuidar de tudo. — Então saiu, deixando-o sozinho na cozinha.
Ele pegou o celular, consciente de que, se precisasse permanecer ali, necessitaria de roupas, embora não tivesse levado nenhuma.
Como não havia checado o aparelho durante as brincadeiras com o filho, ele ainda estava no modo "Não Perturbe", e, assim que o desativou, franziu o rosto diante da avalanche de chamadas, mensagens e notificações acumuladas. Dessa forma, conferiu algumas delas e, em seguida, abriu os áudios, ouvindo recados dos irmãos, Alden, investidores, funcionários e parceiros.
Mas uma mensagem se destacou entre todas: um recado de Thalassa, com o horário marcado na noite anterior.
Então, franzindo o cenho, colocou para reproduzir, e a voz dela encheu seus ouvidos, baixa e tensa.
— Kris... por favor, me liga quando ouvir isto. Preciso te contar uma coisa.
Diante da situação, ele engoliu em seco, com a garganta se apertando. Thalassa dissera que pretendia contar a verdade sobre Alex, mas, no momento em que ouvira aquilo dela, não tinha acreditado.
"Será que era verdade? Será que aquele era o motivo de ter enviado a mensagem?"

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