Henry fechou as mãos em punhos apertados, sentindo-se encurralado sob o olhar fixo de Thalassa.
— Sim… Sim… — Gaguejou, desviando os olhos entre o oficial Swartz e Thalassa. — Ela... Ela pode ficar.
Karen chegou a abrir a boca para protestar, mas o olhar afiado e cortante de Thalassa a silenciou de imediato, fazendo com que, contrariada, se virasse e deixasse o quarto.
Diante disso, Thalassa sorriu satisfeita e comentou:
— Pode continuar tomando o depoimento dele, oficial.
O homem pigarreou e voltou-se para Henry.
— Sr. Fitz, poderia descrever o que aconteceu em seu escritório?
Henry sentiu a irritação crescer, apertando ainda mais os punhos, enquanto Thalassa permanecia logo atrás do oficial, com a sobrancelha arqueada e o olhar penetrante cravado nele. Ele rangeu os dentes, mas, lembrando-se de toda a informação que ela tinha e que poderia arruiná-lo, compreendeu que não tinha escolha.
— Não pretendo prestar queixa. — Murmurou.
O oficial piscou, surpreso.
— Sério? Disseram-me que o senhor quase foi morto.
— As pessoas gostam de exagerar as coisas. — Disse Henry. — O que aconteceu com o Kris não passou de uma discussão de amigos, e mesmo que meu nariz tenha saído fraturado, infelizmente, não tenho intenção de registrar queixa.
O oficial o encarou longamente.
— O senhor tem ciência de que, se não prestar queixa, o Sr. Miller talvez não seja julgado nem processado?
Henry lançou um rápido olhar para Thalassa e engoliu em seco.
— Sim, estou ciente.
— Então, tem certeza de que não deseja prosseguir com a acusação?
Seguiu-se um instante de silêncio, e a hesitação de Henry pairou pesada no ar, até que a voz suave de Thalassa o atravessou.
— Oficial, acredito que o Sr. Fitz já deu a resposta. — Comentou ela, com leveza.
O maxilar de Henry se contraiu, mas ele assentiu e respondeu com a voz rígida:
— Sim. Como eu disse, não quero prestar queixa.
Com um discreto movimento de cabeça, o oficial tomou nota no bloco e, logo depois, explicou:
— Entendido. Se mudar de ideia, o prazo de prescrição para lesão corporal é de três anos, portanto o senhor ainda poderá comparecer à delegacia e registrar a denúncia, se julgar necessário. — Então ofereceu-lhe um sorriso educado antes de se retirar.
Assim que a porta se fechou, Thalassa começou a aplaudir, devagar e de forma zombeteira.
— Que espetáculo, Henry. — Murmurou de forma irônica, deixando transparecer nos olhos um brilho carregado de diversão. — Por um instante, quase acreditei que Kris fosse mesmo o seu querido amigo.
O rosto de Henry teria escurecido de fúria se o nariz permitisse, mas, mesmo assim, retrucou:
— Pelo visto, já se divertiu. Agora caia fora daqui.
No entanto, o sorriso de Thalassa não vacilou.
Diante do comentário, ela riu suavemente, enlaçou os braços em torno do pescoço dele e respondeu:
— Não teria sido romântico? — Então se inclinou e o beijou, sentindo o coração disparar quando as mãos dele a puxaram para mais perto.
Ao se afastarem, Kris roçou o polegar em sua bochecha, com os olhos transbordando afeto.
— A propósito, o oficial que foi colher o depoimento do Henry me ligou. Parece que, de repente, o Henry decidiu não prestar queixa contra mim. Estranha coincidência, não acha? Justo quando minha gatinha maravilhosa saiu em missão… — Ele ergueu uma sobrancelha, ampliando o sorriso. — Você não teria nada a ver com isso, teria?
Thalassa sorriu, com um brilho maroto nos olhos.
— Sério? Que coincidência e tanto.
Kris roçou o rosto no dela, arrancando-lhe uma risada suave.
— Vamos, me diga, como conseguiu convencê-lo?
Ela piscou, inclinando-se para ele com um sorriso atrevido.
— Digamos apenas que minhas habilidades de persuasão são imbatíveis.
Ao ouvir sua afirmativa, ele balançou a cabeça, em puro encantamento.
— Lembre-me de nunca ficar contra você de novo.
Então, os dois caíram na risada, saboreando a felicidade de estarem novamente nos braços um do outro.

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