Zeke disparou pelo corredor do escritório, ignorando os olhares surpresos dos funcionários enquanto seguia direto para o elevador, onde pressionou o botão com força e batucou o pé impaciente até que as portas se abriram.
Assim que entrou, apertou o térreo e se recostou, passando a mão pelos cabelos enquanto o coração martelava no peito. "Como não tinha percebido? Como podia ter ignorado algo tão dolorosamente óbvio?"
Pensamentos sobre Millie giravam em sua mente, um atropelando o outro, e ele recordou a sensação de impotência meses atrás, quando se deu conta de que havia algo seriamente errado no relacionamento dela com Francis.
A dor que sentira ao ver pela primeira vez as marcas de hematomas na pele pálida dela, mesmo quando Millie inventara desculpas, ainda queimava, e, a cada nova marca, o sangue dele fervia e o coração doía ainda mais.
Seu desejo avassalador de protegê-la, de blindá-la contra qualquer pessoa ou coisa que pudesse feri-la, sempre o dominava, assim como a sensação de impotência sempre que ela parecia triste e a alegria imensa que o invadia quando a via rir.
Quando as portas do elevador se abriram, ele atravessou rapidamente a recepção e saiu, com a realidade de seus sentimentos se impondo pesadamente enquanto corria em direção ao carro.
Aquilo não era apenas amizade, nunca tinha sido…
Ele não se preocupava com ela apenas como um bom amigo que queria vê-la segura: ele estava apaixonado por Millie. "Claro que a amava! Como não havia percebido antes?"
Durante todo esse tempo, agarrara-se a uma fantasia, convencido de que Thalassa era a única mulher capaz de fazê-lo feliz, e, por isso, deixara de notar o quanto a simples presença de Millie já o fazia sentir-se completo.
Agora, por causa de sua cegueira, ele a magoara, partira o coração dela logo depois de ela finalmente abrir os próprios sentimentos diante dele.
A lembrança da confissão corajosa e dolorida dela ecoou mais uma vez em sua mente: "Sei que nunca vai me ver como vê a Thalassa, e já aceitei essa verdade. Mas a noite passada... Foi a noite mais feliz da minha vida."
Ele agarrou o volante com força enquanto acelerava de volta para casa, dividido entre a expectativa e o medo, mas certo de que precisava dizer a ela o que finalmente havia compreendido: que ela significava mais para ele do que jamais admitira para si mesmo.
Ao chegar em casa, estacionou na garagem e correu para dentro.
— Millie! — Chamou, com a voz ecoando no silêncio.
Atravessou o corredor em passos apressados, conferiu a cozinha e a encontrou deserta, então foi para a sala de estar, percorreu os olhos pelo ambiente e, tomado pela urgência, subiu as escadas de dois em dois degraus.

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