Linda apenas bufou e balançou a cabeça, com os lábios se curvando em desprezo.
— Como é possível que, mesmo após tantas mentiras e depois de ela ter escondido o seu próprio filho, aquela garota tenha conseguido te convencer com tanta facilidade? — Cuspiu as palavras, com a voz carregada de desdém. — Em que momento você ficou tão ingênuo, Kris? Aquela mulher te tem completamente nas mãos!
Kris soltou uma risada curta e sem humor.
— E você preferiria que fosse você, mãe? — Perguntou, com o olhar ficando mais frio à medida que a raiva e a dor se misturavam dentro dele. — Prefiro mil vezes estar nas mãos da Thalassa, porque tudo o que ela me faz sentir é felicidade. Já você, quando tinha esse poder sobre mim, usou para me manipular, destruir minha vida e roubar qualquer chance de eu ser feliz, sempre em nome do que dizia ser o melhor para mim!
Os olhos de Linda brilharam com fúria.
— Eu só fiz o que era certo, Kris. Tudo o que fiz foi para te proteger.
— Me proteger? — A voz dele ganhou força, e cada palavra saiu impregnada de uma amargura descrente. — Você fala de amor e proteção, mas conspirou para matar o meu filho. É isso que chama de proteção?
Em seguida, ele se inclinou para frente, encarando-a com raiva.
— E não se trata apenas de assassinar o meu filho. Como pôde ser tão cruel a ponto de ajudar no tráfico e na exploração de mulheres contra a vontade delas? De permitir que fossem abusadas e usadas em troca de benefícios próprios? O que há de errado com você? Que tipo de mulher faz algo desse tipo?
A expressão de Linda se contorceu.
— Você não faz ideia do que está dizendo. Não entende nada, porque nunca me deu a oportunidade de me justificar. Em vez disso, acreditou em tudo o que saiu da boca da Thalassa.
Kris cerrou o maxilar, lutando contra o impulso de gritar.
— Não foi a Thalassa quem me convenceu. As evidências falam por si. O que você acha que ainda precisa justificar?
A voz de Linda suavizou, ganhando um tom de desespero.
— Eu fui forçada, Kris. Acha que eu queria isso? Que eu queria mesmo trabalhar como prostituta? Eles me obrigaram... Me forçaram a ser uma. E quando fiquei presa, também me obrigaram a ajudá-los com o tráfico.
Kris a encarou, incrédulo.
Kris a olhou, com o coração pesado por uma tristeza profunda vendo que mesmo ali, ela ainda se recusava a assumir qualquer culpa.
Era incerto por que tinha ido até ela, talvez uma parte dele ainda tivesse esperança, talvez fosse essa esperança de que ela demonstrasse arrependimento e de que pedisse perdão.
E talvez ele a perdoasse, não a salvaria da prisão, mas a perdoaria. Só que agora percebia que ela jamais mudaria, pois nunca admitiria seus crimes nem se arrependeria.
Endireitou a postura e falou num tom baixo, quase sussurrado, enquanto a observava.
— Espero que um dia você perceba todo o mal que causou e quantas vidas destruiu por puro egoísmo. Adeus, Linda. A gente se vê no tribunal.
Em seguida, virou-se para sair, com os passos firmes, porém pesados.
— Volta aqui, seu idiota! — A voz de Linda rugiu atrás dele. — Vai escolher aquela mulher em vez da própria mãe? É um traidor e um ingrato! — Os gritos ecoaram pelo corredor, tomados de fúria crua. — Kris! Não ouse virar as costas pra mim enquanto estou falando!
Mas Kris não se virou, prosseguindo em silêncio enquanto a voz carregada de raiva dela se apagava aos poucos, dando lugar a um vazio que doía fundo dentro dele.

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