Os gritos de Susan ecoavam pelo pátio enquanto a polícia a arrastava, junto com Tyler, em direção à viatura.
— Me solta, seu imbecil! — Ela berrou, com os pulsos se debatendo contra as algemas, os cabelos desgrenhados e o rosto avermelhado de raiva. Por fim virou a cabeça bruscamente, lançando um olhar de ódio para o irmão mais velho.
— Eu te odeio, Kris! Eu te odeio pra caralho! Seu maldito traidor!
No entanto, Kris permaneceu imóvel, com o rosto uma máscara de indiferença gelada.
— Não bastou colocar a mamãe na cadeia, não é? — Cuspiu Susan, se debatendo contra o aperto do policial. — Agora quer colocar a gente também! Você é o pior irmão do mundo! Seria melhor que estivesse morto!
Kris não se moveu, observando em silêncio enquanto ela era empurrada para dentro do banco traseiro da viatura.
A fúria de Susan então mudou de alvo como uma tempestade repentina,virando o rosto para Thalassa, com os olhos ardendo de ódio.
— E você! — Sibilou. — Sua bruxa maldita. Eu amaldiçoo o dia em que entrou nas nossas vidas! Você destruiu tudo! Por que simplesmente não morre de uma vez?
Assim como Kris, Thalassa manteve a expressão fria e impenetrável, sem lhe dar o prazer de uma reação.
Nesse momento, Tyler chorou abertamente, com os pedidos se tornando cada vez mais desesperados.
— Kris, por favor! Você não pode deixar que façam isso comigo! Eu não quero ir para cadeia… Por favor, mano!
A visão do irmão chorando não abalou o olhar de Kris, que continuou observando enquanto Susan também era empurrada para dentro da viatura ao lado de Tyler.
Um dos policiais aproximou-se de Thalassa.
— Srta. Thompson, precisa de carona até o hospital? Podemos deixá-la lá, já que veio conosco.
Antes que Thalassa pudesse responder, Kris se adiantou.
— Não se preocupem. Vou levá-la.
O policial assentiu e voltou para o carro, deixando os dois sozinhos na entrada.
Atrás deles, tia Cynthia segurou o braço de Kris com força, com os dedos tremendo.
— Kris, pare com essa loucura. — Implorou ela, com a voz aguda. — Você vai se arrepender disso! Susan e Tyler são seus irmãos! Como pode deixá-los serem levados para cadeia assim?
Contudo, ele permaneceu firme, com o olhar fixo na viatura que começava a sair da garagem.
— Kris! — Cynthia sacudiu o braço dele. — Me responda! Faça alguma coisa!
Ele se virou lentamente.
— Não piore as coisas, tia Cynthia.
O desespero dela deu lugar à fúria e Cynthia voltou-se para Thalassa inchada de raiva.
— Isso é tudo culpa sua… Sua víbora manipuladora! — Gritou.
Ela ergueu a mão para bater, mas Kris a segurou no ar.
— Nem pense nisso. — Advertiu ele, com a voz baixa e perigosa. — Se encostar nela, eu garanto que vai se juntar à Susan e ao Tyler na prisão.
Cynthia congelou, com os olhos saltitando de choque, arrancou o braço com força e recuou um passo, enquanto fitava Kris como se o visse pela primeira vez.
— Eu não acredito nisso! Você virou as costas pra toda a família por causa dessa vadia! Pois saiba que eu me importo com a nossa família, e farei o que for preciso para ajudar a Susan e o Tyler.
Com um último olhar carregado de veneno para Thalassa, ela entrou na casa, batendo a porta com força.
— Porque Susan e Tyler são seus irmãos. Eu devia ter te contado antes de…
— Antes de buscar justiça? — Interrompeu Kris, balançando a cabeça. — Você fez o que precisava ser feito. Foi a coisa certa. Eu nunca ficaria bravo com você por isso.
Antes que ela pudesse responder, ele segurou sua mão e a levou aos lábios. A voz saiu trêmula quando sussurrou.
— Me desculpe… Sinto muito pelo que eles fizeram com a Juana.
Thalassa pousou a outra mão sobre a dele, com o coração apertando.
— Kris, você não tem que se desculpar, não foi você, foram eles.
Kris assentiu, mas o olhar permaneceu amargo.
— Sim, foram eles dentro do carro, mas eu também sou responsável. Eu, minha mãe, a tia Cynthia… Toda essa maldita família!
Ele abaixou a cabeça, soltando um suspiro pesado.
— Susan e Tyler se tornaram assim porque ninguém nunca os responsabilizou… Eu nunca os responsabilizei. Eles acharam que podiam tudo porque eram Millers. Quando se recusaram a trabalhar, eu cedi, dei mesadas enormes em vez de exigir que ganhassem o próprio dinheiro. E quando se metiam em confusão por causa das idiotices que faziam, eu sempre dava um jeito de tirá-los, porque achava que era meu dever e todo mundo esperava isso de mim.
Um sorriso amargo curvou os lábios dele.
— Teve uma vez que eles espancaram uma garota porque a Susan achou que ela tinha roubado o namorado dela. Sabe o que eu fiz? Paguei a garota para ficar quieta, e nem deixei que passassem uma noite na cela. No fundo, achei que estava protegendo, mas, no fim, só os estraguei mais.
Uma lágrima escorreu pelo rosto de Kris, e ele a enxugou depressa, com o maxilar contraído.
— Eles se tornaram os monstros que são por minha culpa…

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