Tessa Miller ficou parada diante do espelho, observando o próprio reflexo enquanto o cabelo, normalmente liso, caía em suaves cachos nas pontas, emoldurando seu rosto de um jeito que a fazia sentir-se especialmente bonita. Ela alisou o tecido macio do vestido de baile azul-claro pela centésima vez, sentindo-se ao mesmo tempo empolgada e nervosa.
— Relaxa, Tessa. — Disse Maya, sua melhor amiga, sentada na beira da cama com um pincel de maquiagem na mão, depois de ter terminado a produção da amiga. — Você está perfeita. O Gendry Graham vai surtar quando te vir.
Tessa lançou um olhar para ela, reparando em como o vestido vermelho vibrante e o sorriso confiante de Maya contrastavam com sua própria timidez.
— Eu só… Ainda não acredito que ele me convidou. — Admitiu, respirando fundo.
Ela tinha decidido não ir ao baile, já que ninguém havia a convidado, porque a maioria dos garotos da escola a via como a menina nerd e entediante, enquanto os outros evitavam se aproximar por causa do irmão superprotetor, Alexander. Mas, dois dias antes, Gendry, o único garoto por quem Tessa tinha uma queda havia três anos, a pegara de surpresa ao chamá-la para ser sua acompanhante e, ainda por cima, lhe dera seu primeiro beijo. Claro que ela dissera sim na hora.
— Ele podia ter convidado qualquer uma, mas escolheu a mim. — Repetiu Tessa, ainda com um brilho de incredulidade nos olhos.
— Isso porque você é a garota mais encantadora de toda a escola! — Exclamou uma voz cheia de carinho e orgulho.
Tessa se virou depressa, um enorme sorriso iluminando seu rosto.
— Mãe!
Thalassa Miller entrou mais na sala, estendendo as mãos para segurar as da filha.
— Você está simplesmente deslumbrante, querida. Vai fazer cabeças virarem a noite toda.
— Pois é melhor que essas cabeças tomem cuidado. — Advertiu outra voz vinda da porta, revelando Kris Miller, o pai de Tessa.
As três mulheres soltaram um gemido sincronizado.
— Pai, por favor, não começa. — Reclamou Tessa, fazendo biquinho. — Você prometeu que não ia implicar com isso.
Ele ergueu as mãos em rendição.
— Ok, tudo bem. Mas você sabe como eu sou. Não quero que ninguém machuque a minha princesinha.
Tessa revirou os olhos.
— Tenho dezoito anos, pai. Sei me cuidar.
Kris hesitou, mordendo o lábio antes de soltar um suspiro resignado.
— Só me manda mensagem a cada trinta minutos para eu saber que está bem.
— Kris Miller, deixa nossa filha em paz e para de ser tão superprotetor quanto o seu filho. — Repreendeu Thalassa, segurando a mão do marido.
— Vamos deixar as meninas sozinhas.
Ele fez bico, mas não resistiu quando ela o puxou para fora do quarto, e Tessa e Maya riram enquanto observavam o casal se afastar.
— Já te falei o quanto amo o relacionamento dos seus pais? Eles são adoráveis, e eu amo o quanto eles se amam. — Comentou Maya, sorrindo.
Tessa sorriu também, concordando plenamente. Jamais deixaria de ser grata por todo o amor que eles lhe davam, porque sabia que não eram seus pais biológicos, mas nunca a fizeram se sentir menos filha.
Maya levantou-se e se aproximou com o pincel em mãos, retocando as bochechas de Tessa.
— Achei que você já tinha terminado! — Riu Tessa, enquanto Maya insistia em ajustar os últimos detalhes.
— Ah, cala a boca. — Respondeu a amiga, balançando a mão. — Quero que o queixo do Gendry caia assim que te vir.
Uma batida firme na porta interrompeu o momento.
— Tes, posso entrar? — Perguntou uma voz conhecida.
Tessa reconheceu na hora o tom do irmão.
Maya revirou os olhos.
— Seu irmão precisa relaxar.
Tessa suspirou, já tensa, esperando que Alex não tivesse vindo para tentar convencê-la a desistir de novo. Amava o irmão, mas, por causa da proteção exagerada dele, nunca tivera um namorado aos dezoito anos e não queria que ele estragasse a noite também.
— Pode entrar. — Respondeu.
Alexander entrou com o cenho franzido. Seu terno estava impecável, mas a gravata solta mostrava que ele preferia estar em qualquer outro lugar.

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