Ao ouvir aquilo, Thalassa sentiu as lágrimas queimarem nos olhos, mas, ainda assim, se recusou a lhe dar o prazer de vê-la chorar.
— Terminou?
— Nem vai se dar ao trabalho de negar, então é verdade? — Um sorriso amargo esticou os lábios dele enquanto apontava para Zeke. — Você foi morar com esse cara poucos dias depois do nosso divórcio. Para alguém que estava tão desesperada para eu te aceitar de volta, não perdeu tempo em cair nos braços da próxima vítima.
Zeke, por outro lado, entendeu onde Kris queria chegar e interveio, tentando esclarecer:
— Você está enganado sobre a Thalassa. As coisas não aconteceram do jeito que você pensa…
— Zeke. — Thalassa levantou a mão, interrompendo-o. — Eu não devo explicações a esse homem.
Logo, o olhar de Kris se endureceu.
— Se acha que não me deve explicações, então também não tem o direito de atacar minha família com essas acusações ridículas.
Diante disso, Thalassa respirou fundo.
— Era seu filho também.
— Meu filho? De que forma eu poderia saber? — Disparou Kris. — Mesmo que você estivesse realmente grávida, como eu poderia ter certeza de que aquele filho era meu, se logo depois do nosso divórcio você já estava com outro homem? Como poderia saber se não era de algum dos seus outros amantes?
Ele soltou um riso cínico, com a dor e a raiva transbordando no olhar.
— Será que você ao menos sabia quem era o pai do bastardo que carregava?
De todas as coisas que ele dissera, aquela foi a pior. Thalassa tentou ao máximo não chorar, mas naquele instante, uma única lágrima escorreu por sua bochecha enquanto ela sorria, triste.
— Parabéns, Kris. Você acabou de chamar seu próprio filho morto de bastardo. Espero que nunca se arrependa, porque por isso, eu jamais vou te perdoar.
Dito isso, ela se virou e caminhou de volta para o escritório com calma, tendo Zeke logo atrás.
Thalassa havia se controlado para derramar apenas uma lágrima diante de Kris, mas assim que entrou na sala, a represa desabou. As lágrimas escorreram pelo rosto, sacudindo seu corpo em soluços profundos e angustiados.
— Lassa… — Zeke sussurrou, chocado com a reação dela.
Sem pensar, ele avançou e a envolveu com os braços. Em resposta, ela enrijeceu, mas, ao contrário do que ele esperava, não o afastou. Em vez disso, desabou contra ele, permitindo que os soluços tomassem conta de seu corpo.
Com isso, ele sentiu arrepios tomarem sua pele, pois a intensidade da dor que se manifestava em cada som que ela soltava o atingia profundamente. Talvez aquilo o tornasse uma pessoa horrível, mas, apesar de tudo, ele sentiu inveja das lágrimas dela.
Visto que, nos últimos três anos em que a conhecia, jamais a vira chorar, nem uma única vez. Mesmo quando a vovó faleceu e ele sabia que ela estava sofrendo, ela só chorou quando ficou sozinha com Luisa.

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