— Mas que merda? Fui eu quem comprei as flores para ela. Por que você simplesmente as jogou fora? — Clark parecia ofendido e abalado.
Percebendo a atenção que os cercava, Thalassa finalmente saiu do estado de choque e empurrou Kris para longe.
— Que direito você acha que tem de jogar fora as minhas flores? O que há de errado com você? — Sibilou.
— Não. O que há de errado com você? — Retrucou Kris. — Por que aceitou as flores e ainda as manteve tão perto de si, sabendo que tem reação a elas?
— Reação? — Clark franziu o cenho, virando-se para Thalassa. — Do que ele está falando?
— Ela é alérgica, idiota. Elas causam dores de cabeça. Você teria notado que ela não estava bem se tivesse prestado atenção em vez de ficar tagarelando feito um papagaio desgraçado.
— Seu desgraçado, você me enganou! Disse que essas eram as flores favoritas dela! — Acusou Clark, antes de se voltar para Thalassa. — Por que não me contou? Me desculpa. Você está bem?
Thalassa assentiu, embora seu olhar duro estivesse fixo em Kris.
— Estou bem, Clark. Não dê ouvidos ao Kris. — Disse, mirando Kris diretamente. — Eu menti sobre a alergia.
Kris soltou uma risada seca, sem hesitar.
— Você só está fingindo agora, mas eu sei que assim que chegar ao seu escritório vai tomar dois analgésicos. Você nunca mentiu para mim.
Ao ouvir aquilo, Thalassa não conseguiu evitar um sorriso amargo.
— De todas as coisas que você poderia ter escolhido para não me chamar de mentirosa, foi nisso que decidiu acreditar, não é?
Com isso, Kris contraiu o rosto, ciente de que ela se referia a todas as vezes em que ele tinha duvidado dela... Além de ainda continuar duvidando.
— Thalassa...
Ela o interrompeu.
— Não sei o que você está tentando conseguir aqui, mas pare de ser hipócrita e de agir como se realmente se importasse com o meu bem-estar.
Logo, sem esperar por qualquer resposta, virou as costas e saiu do restaurante, deixando Kris rangendo os dentes de frustração.
— Ah... Você não acha que exagerou um pouco? — A voz de Alden soou atrás dele. — Não precisava ter agarrado as flores e jogado-as daquele jeito…
Embora soubesse que o amigo estava certo, Kris sentia-se justificado, já que Thalassa mantinha aquelas flores por perto enquanto ele a observava, e ele não queria que a dor de cabeça dela piorasse.
Então, ao notar que naquele momento as pétalas espalhadas estavam sendo varridas por uma funcionária, Kris lhe lançou um olhar de desculpas.
— Ok. Já paguei a conta. Melhor irmos embora, porque o pessoal aqui não para de encarar.
Kris assentiu, e os dois seguiram até a porta. No exato momento em que saíam, o celular dele tocou. Kris se enrijeceu ao ver o nome na tela. Era seu detetive particular.
— Smoke. Diga.
Alden observou como a expressão de Kris mudava de expectativa nervosa para abatimento... E, por fim, para um traço de fúria. Quando a ligação terminou, havia um olhar duro em seus olhos.
— O quê? O que aconteceu? O que o Smoke te disse?
Em vez de responder, Kris falou com frieza:
— Preciso que você me faça um favor, Alden.
Alden franziu o cenho, curioso.
— Que favor?
Kris começou a explicar, e, quando terminou, Alden balançou a cabeça com seriedade.
— De jeito nenhum. Eu não vou fazer isso.
— Alden, eu preciso da sua ajuda. Você não pode recusar.
— Cara, caso não tenha notado, eu gosto pra caralho da Luisa. E, se eu fizer isso, ela vai pensar que só me aproximei para te ajudar. — Refletiu Alden. — Por que não pede para Millicent? Ela não é amiga da Thalassa?
— Esse é o problema. — Disse Kris. — Justamente por ser amiga, ela não quer fazer nada que possa parecer traição.
— Tudo bem. Não vim falar sobre isso. — Disse Kris, o que fez com que ela arqueasse uma sobrancelha.
— Então... Quer falar sobre o quê?
Desde que ele a confrontara sobre as fotos, nos últimos dois dias, Kris mal havia falado com ela, fazendo com que o clima entre eles no quarto ficasse mais estranho do que nunca. Assim, ela se surpreendeu ao vê-lo se aproximar sem qualquer traço de raiva… Não que ela estivesse reclamando, é claro.
Logo, Kris suspirou.
— Só queria pedir desculpas pela forma como te confrontei há dois dias. Sinto muito mesmo.
Embora a surpresa a atingisse, Karen não conseguiu esconder a satisfação.
— Você finalmente percebeu que a Thalassa tentou te enganar de novo, né? Eu te falei. E não se preocupe, fico feliz que tenha reconhecido o erro. Eu te perdoo.
Levantando-se, ela tentou se aproximar e arriscar um beijo, mas a filha deles estava aninhada entre os dois, que impediu qualquer movimento.
— Sério? Você me perdoa assim, tão fácil?
Karen parou.
— Como assim?
— Ah... É que eu pensei em me redimir com você. — Comentou Kris, sorrindo. — Que tal um jantar? Só nós dois. Faz tempo que não saímos juntos. Quero te levar para jantar hoje à noite como forma de pedir desculpas.
— Um encontro? — Karen perguntou, sem conseguir esconder a empolgação na voz.
— Sim. — Confirmou Kris, com o sorriso ainda firme. — Aceita sair comigo?
Naquele instante, Karen estava em êxtase, se perguntando se aquilo era real. Se fosse um sonho, ela definitivamente não queria acordar.
— Claro que aceito. É só me dizer o horário e eu me arrumo do jeito que você mais gosta.
Contudo, ao se virar para pegar o celular, acabou não percebendo o olhar gelado que já tomava conta dos olhos dele…

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