Kris foi invadido por uma sensação gélida, como se tivesse acabado de levar um balde de água fria. Seus olhos se arregalaram, surpresos com as palavras de Thalassa, e ele imediatamente tentou analisar seu rosto, buscando qualquer traço de sarcasmo ou crueldade. Contudo, o fogo que ardia no olhar dela deixava evidente que não havia brincadeira alguma naquelas palavras.
— O que está esperando? — Ela disparou, cortando o silêncio com ferocidade. — Se quer mesmo que nosso filho morto, onde quer que esteja, saiba que você se importava, então faça justiça. Prenda sua mãe!
O estômago de Kris se contorceu de amargura, porque ele mal conseguia acreditar no que ela estava exigindo. Ainda assim, mesmo ciente de que suas próximas palavras não seriam bem recebidas, ele sabia que não podia permanecer em silêncio:
— Thalassa, eu sei que minha mãe tem seus preconceitos e pode ser difícil de lidar. Admito que ela tem inúmeros defeitos, mas nem por isso é uma assassina. Ela nunca seria capaz de ferir alguém, muito menos o próprio neto.
Thalassa soltou uma risada áspera, enxugando as lágrimas do rosto com os dedos trêmulos.
— Ao próprio neto? Kris, foi ela quem te convenceu de que eu mentia sobre a gravidez.
— Sim, mas isso aconteceu porque todos acreditávamos que você havia traído nossa família. Até eu acreditei nisso. — Ele admitiu, mordendo o lábio com força. — No entanto, eu juro que, se soubéssemos que você estava realmente grávida, ela teria sido a primeira a me impedir de deixá-la ir.
Ele fez uma pausa, esperando encontrar nos olhos dela algum traço de compreensão.
— Minha mãe sempre teve o desejo de ser avó e, justamente por isso, nunca rejeitaria um neto, muito menos teria qualquer intenção de feri-lo. Inclusive, você devia ver como ela trata a Tessa. Ela a ama, de verdade.
Com isso, os lábios de Thalassa se curvaram em um sorriso gélido.
— Ah, Tessa... Que sorte a dela. Nasceu de alguém que sua mãe aprovava. Caso contrário, teria sido tão desprezada quanto meu filho não nascido.
Ao ouvir sua resposta, Kris respirou fundo, sentindo a frustração crescer em seu peito.
— Thalassa, minha mãe pode ser dura, eu sei, mas ela nunca seria capaz de machucar um neto só por não gostar da mãe. Ela pode ter muitos defeitos, mas não é cruel, tampouco um monstro.
Antes que ele pudesse concluir, Thalassa começou a assentir, o que o surpreendeu.
— Você tem razão, ela não é um monstro... — Concordou, suavemente por um instante, até que seus olhos arderam de fúria. — ...porque ela é pior do que isso. Ela me odiou desde o dia em que você contou que estávamos juntos. Foi ela quem armou tudo, quem mandou a Karen tirar aquelas fotos minhas com outro homem. Ela forjou provas para me incriminar. E mesmo que você não aceite, eu continuo acreditando: foi ela quem mandou aquele homem me atacar!
Logo, o coração de Kris pesou diante de tanta amargura.
— Sinto muito, mas você não pode simplesmente acusar minha mãe dessa forma…
— Eu não estou só acusando. — Rebateu Thalassa, puxando o celular com força da bolsa.
Ela abriu o aplicativo de gravação e, em seguida, reproduziu a conversa com Karen, pulando diretamente para os trechos mais incriminadores.
…
— Thalassa, por mais que pudesse ter deixado aquele homem te estuprar, como era o desejo da Linda, eu não fiz isso. Pelo contrário, alertei ele expressamente para não fazer nada, porque, apesar de tudo entre nós, você ainda era minha amiga, e eu simplesmente não conseguia te ferir. — Confessou a voz de Karen.
— E daí, Karen? Quer que eu me sinta grata só porque você não deixou ele me estuprar, como se isso compensasse o fato de ter invadido minha privacidade e me abusado do mesmo jeito?
(Silêncio)
— E o meu filho, Karen? Você e a Linda mandaram aquele homem me atacar. Vocês mataram o meu bebê!


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