(PONTO DE VISTA DE AVERY)
— Que diabos... — Meu pai praguejou enquanto subia as escadas pesadamente.
Ele e minha madrasta invadiram o quarto. Tentei recuar enquanto eles avançavam sobre mim no espaço reduzido. Zara agarrou meu braço e me girou bruscamente para que a mordida ficasse bem visível sob a luz. Meu pai olhou para a marca, atordoado.
— Esta marca parece ter sido deixada por um lobo forte. — Ele murmurou, incrédulo. — Quem marcou você?
Ao ouvirem a palavra "forte", Zara e a mãe dela me encararam com olhares chocados e cheios de desprezo. Eu não queria responder, mal conseguia acreditar no que tinha acontecido, mas aprendi a falar apenas quando solicitada naquela casa.
— Eu não sei. — Sussurrei.
— Onde ele está, então? — A voz dele subiu para um bramido.
— Provavelmente ainda perto do lago na floresta, mas não tenho certeza...
— Aposto que ele simplesmente fugiu. — Desdenhou Zara. — Eu te disse, uma humana como você nunca seria desejada por ninguém.
O primeiro chute do meu pai me pegou desprevenida. Ele era um Gamma muito forte, e eu caí imediatamente no chão, do outro lado do quarto.
— Como ousa dizer que não sabe de nada depois de ser marcada! — Meu pai rugiu. — Eu nunca deveria ter aceitado você na minha família. Eu sabia que você estava destinada a ser uma vadia barata como a sua mãe!
O segundo chute desceu rapidamente enquanto eu soltava um grunido e me encolhia como um verme no chão.
— É essa a gratidão que recebo por ter te criado!
Meus olhos se encheram de lágrimas ao pensar na minha mãe. Ela é apenas uma serva comum na alcateia. Ela acabou dormindo com meu pai por acidente enquanto ele estava bêbado e me concebeu. Meu pai nunca quis uma serva como ela. Com raiva, ele anunciou que ela o tinha seduzido, e ela foi rebaixada ao trabalho de escrava Ômega. O antigo Alfa, por misericórdia, pediu que ele ao menos me mantivesse e me criasse. Eu quase nunca tinha permissão para vê-la, mas lembrava-me de sua doçura nas poucas vezes em que conseguia visitá-la escondida.
— Avery deveria ser rebaixada a escrava também, igual à mãe, já que é uma piranha que se deixou marcar e foi abandonada. — Sugeriu Zara ao pai. Ela sempre odiou o fato de eu ser namorada de Ryan. Agora, suponho que ela conseguiu o que queria.
— Nenhuma filha minha será escrava! — Meu pai sibilou. — Primeiro sem loba, agora isso! Não posso deixar você pisar na minha honra como Gamma da alcateia nem mais um segundo.
Eu me esquivava de seus chutes, mas aprendi há muito tempo a não correr; isso só o deixava mais furioso. Eu sentia minhas costas arderem sob os golpes. Finalmente, ele parou, respirando pesadamente. Ele se inclinou, agarrou meu maxilar com força e encarou a marca no meu pescoço por um longo tempo. Então, uma expressão astuta e cruel surgiu em seu rosto.

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