— O que você quer fazer?
O que eu queria fazer era voltar para dentro, encontrar Avery e conversar com ela.
Queria saber onde tinha estado.
Como tinha sobrevivido.
O que tinha feito durante dez anos.
Queria saber por que nunca voltou.
Por que me deixou vasculhar aquele rio.
Por que ficou naquele pátio, olhou nos meus olhos e depois simplesmente desviou o olhar.
Eu tinha muitas perguntas.
Dez anos de perguntas.
— Ela não pareceu feliz em me ver. — Falei.
Tegan não respondeu de imediato.
— Ela desviou o olhar. — Continuei. — De propósito. Ela me viu, me reconheceu e simplesmente... Desviou o olhar.
— Eu percebi.
Olhei para ele.
— Por que ela faria isso?
Ele apertou os lábios.
— Não sei.
Olhei pelo retrovisor enquanto a casa desaparecia ao longe.
Avery estava em algum lugar lá dentro.
E eu simplesmente iria...
Embora?
E se ela precisasse de mim?
E se estivesse ali contra a própria vontade?
Eu tinha visto a forma como aqueles guardas a trataram e sabia que ela não queria trabalhar com lobisomens.
E se estivesse em perigo?
— Pare o carro. — Falei de repente.
Tegan diminuiu a velocidade até parar no meio da estrada.
As sebes já escondiam a propriedade, embora eu ainda conseguisse ver o telhado por cima delas.
— O que você está fazendo? — Ele perguntou, olhando para mim enquanto eu soltava o cinto e alcançava a maçaneta.
— Preciso falar com ela. Encontre um lugar bom para esconder o carro e espere meu sinal. Deixe o motor ligado caso a gente precise sair rápido.
Os olhos do meu Beta se arregalaram.
— Você não está falando sério que vai se infiltrar na casa de Sebastian, está? Depois de literalmente ter sido escoltado para fora?

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