Poucos minutos antes daquele encontro, eu não sabia que a minha mãe estava morta. Nunca tinha pensado em tentar conhecê-la, pois sabia que ela tinha me deixado quando eu ainda era um bebê. Porém, ao descobrir as circunstâncias da sua partida fiquei sem palavras. Eu não achava que ela era uma pessoa terrível por ter ido embora. Na verdade, eu não pensava muito nela, pois nunca consegui criar na minha mente uma imagem dela.
Na minha cabeça, eu era o problema, mas acontece que eu estava errada. Eu não era a única que tinha sofrido todos aqueles anos. O meu pai também sofreu. As rugas no rosto dele não eram consequência da idade avançada, mas sim, de muita preocupação e tristeza. Durante muito tempo, eu o culpei, mas era difícil estar no lugar dele. Eu não sabia muito sobre os lobisomens especiais, e estava surpresa pela descoberta de ser um deles. Eu tinha lido sobre como os caçadores se orgulhavam de caçar os lobisomens especiais, mas por algum motivo, nunca acreditei nessas histórias enquanto crescia, pois não conhecia nenhum lobo especial.
O meu pai passou a mão no cabelo. A única coisa que podia ver nos seus olhos era dor e arrependimento. Ele tinha se culpado durante todo aquele tempo, eu queria fazê-lo se sentir melhor.
“Você não é culpado pela morte da mamãe. Não tinha como você protegê-la, pois não sabia onde encontrá-la”, eu disse suavemente.
Ele sorriu com tristeza. “Eu disse isso a mim mesmo por muito tempo, mas a verdade é que eu a coloquei naquela situação. Se ela não fosse minha parceira, ela não teria tido motivos para abandonar a família dele”, ele disse.
Caminhei lentamente para mais perto dele e parei a poucos centímetros dele. “Não podemos escolher quem será o nosso parceiro, então não vejo como isso pode ter sido culpa sua”, acrescentei.
Eu estava começando a me sentir um pouco mais relaxado na presença dele, e percebi que ele também estava mais relaxado de que quando entrei na sala.
“Significa muito para mim que você não me culpe pela morte dela. Eu não consegui impedir que ela fosse embora e muita coisa mudou depois que isso aconteceu”, ele fez uma pausa, “você não tem ideia de quantas vezes eu pensei em matar o Simon. Porém, mesmo se o fizesse, eu não tinha ideia para quantas pessoas ele tinha contado sobre a sua loba. Portanto, a morte dele poderia não resolver totalmente a situação. Dia após dia, ele me ameaçava dizendo que iria expor você aos caçadores ou te vender para o inimigo. Só o pensamento de que isso poderia acontecer me fazia viver o inferno. Eu já tinha falhado com a sua mãe e não queria repetir o erro com você também. Então, percebi que eu era o problema, e se eu me retirasse da equação, poderia salvar a sua vida.
“Na noite em que o Jayce foi morto, ouvi uma discussão entre o Simon e Leo. O Leo queria assumir a posição de alfa à força e, depois de muitas tentativas fracassadas, ele estava frustrado. Porém eu não tinha ideia de que ele estava por trás da morte do Jayce. Quando o Leo sugeriu que você poderia ter algo a ver com isso, eu fiquei contra os dois, e então, Simon achou melhor me mandar embora da matilha. Ele disse que não precisava de mim como sua gama e continuou me ameaçando. Ele disse que se eu levasse você comigo, ele não hesitaria em alertar aos caçadores, o que seria pior para mim. Entrei em pânico, mas ainda assim, não pretendia ir embora, até aquela noite em que ele me tirou à força da matilha como se eu fosse uma mercadoria estragada.
Desta vez, eu não pude conter as lágrimas, que rolaram no meu rosto.
“Tiana, não teve um único dia em que não pensei em você ou rezei para a Deusa da Lua pedindo para me conectar com você de novo. Eu não podia me aproximar das fronteiras da matilha porque ele ameaçou me matar e expor você aos caçadores de lobisomens caso ele me visse por perto. Por outro lado, eu sabia que ele ia canalizar toda a raiva que estava sentindo por causa da morte do filho em você. Você não tem ideia do quanto isso me matava todos os dias, eu sabia que não tinha sido capaz de proteger a minha própria filha.
Então, ele estendeu as mãos e segurou as minhas. “Sinto muito por ter deixado você para trás e não ter podido protegê-la quando você ainda era uma criança. Se eu pudesse, eu voltaria no tempo e faria as coisas de maneira diferente. Tenho tantos arrependimentos na vida, mas você não é um deles. Na verdade, você é a única coisa certa que eu fiz."
Soltei as mãos dele para abraçá-lo e ele riu, uma risada suave, antes de envolver seus braços em volta do meu corpo. Parecia que ele precisava daquele abraço mais do que eu.
“Sinto muito”, eu o ouvi engolindo as lágrimas.
“Sinto muito que você tenha tido que passar por tudo pelo que passou, eu disse com a voz chorosa.
“Você se parece com a sua mãe”, ele acrescentou “ela ficaria muito orgulhosa de você."
Foi a minha vez de sorrir com tristeza.
“Tudo em você me lembra ela, Tiana. Eu tenho uma foto dela em algum lugar”, ele me soltou e procurou freneticamente nos bolsos, e então, tirou uma foto antiga e me entregou.
Os meus olhos começaram a lacrimejar novamente, enquanto eu olhava para a mulher naquela foto. Ela tinha um longo cabelo escuro como o meu, seus olhos, lábios e estrutura facial, eu era muito parecida com ela. O meu pai estava certo, eu era a versão jovem da minha mãe.
Na foto, ela estava vestindo jeans largos velhos e uma camisa listrada de preto e branco com as mãos nos bolsos. Ela devia ter mais ou menos a minha idade na época em que a foto foi tirada. Ela parecia feliz.
Eu enxuguei as lágrimas que tinham rolado no meu rosto com as costas das minhas mãos e sorri.
“Eu tirei essa foto no primeiro mês em que nos conhecemos”, meu pai disse com orgulho. “Foi no mesmo dia em que deixei a minha marca nela."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Luna Inesperada
Eu Adoraria ver essa história completa! Estou como louca tentando descobrir onde ler todos os capítulos, já que aqui não é atualizado há tanto tempo......
Esse livro é incrível, ele tem a parte 2 ?...