Quando Nádia recebeu a notificação do bônus em sua conta, também recebeu a próxima tarefa de Roberto.
"Faça meu irmão jantar direito, custe o que custar."
"Eu confio em você. Força!"
Nádia se jogou na cama macia, rolando de felicidade.
Depois de contar os zeros do bônus, ela rolou mais algumas vezes, enrolada no edredom.
Meu Deus, era tanto dinheiro! Seus pais teriam que trabalhar por um mês inteiro para ganhar aquilo.
E ela conseguiu em apenas meia hora.
O que diziam na internet era verdade: trabalhar para gente rica era tão fácil quanto encontrar dinheiro na rua.
Bem na hora, Selina ligou.
— Nádia, como estão as coisas na casa da família Coelho? Estão te tratando mal?
— Não, de jeito nenhum. — Nádia estava deitada de bruços na cama, balançando as pernas. — O Sr. Roberto é ótimo comigo. Quando faço um bom trabalho, ele não só me dá um bônus, como também me elogia!
— Isso é realmente muito bom. Não existem muitos chefes assim. E o Homero?
— Ele... ele também é ótimo. — Nádia ponderou, coçando o queixo. — Fácil de lidar.
Selina disse:
— Assim fico mais tranquila. É seu primeiro emprego, cuide-se bem. Se algo te chatear, fale comigo, ouviu?
Selina deu vários conselhos. Já perto da hora do jantar, Nádia desligou e foi preparar a refeição de Homero.
Homero estava no primeiro andar, assistindo ao noticiário financeiro.
A bateria havia sido recolocada, e ele estava livre para se mover novamente.
Nádia se aproximou.
— O que o senhor gostaria de jantar?
— Tanto faz.
Então, Nádia vasculhou a geladeira e preparou um frango ensopado e espinafre refogado.
Quando a comida foi servida a Homero, ele apenas deu uma olhada rápida.
— Gorduroso. Não quero.
Na segunda tentativa, Nádia preparou um robalo grelhado.
— Não como peixe com espinhas.
Na terceira, Nádia fez uma sopa leve de mandioquinha.
— Sem gosto. Não tenho apetite.
Na quarta vez...
A quarta tentativa ainda estava no fogão quando Homero já manobrava sua cadeira de rodas para o andar de cima.
— Ei, você não vai jantar?
Homero respondeu com indiferença:
— Você demorou demais para preparar a comida. Perdi a fome.
— Só um pouquinho de arroz para mim, por favor.
Depois de meio prato de arroz, Roberto suspirou:
— Definitivamente, o problema não é a sua comida.
Nádia sorriu e lhe serviu mais um pouco, perguntando:
— O Sr. Homero Coelho tem alguma restrição alimentar?
Roberto respondeu enquanto comia:
Nádia o interrompeu:
— Espere um pouco, vou pegar um caderno para anotar.
Roberto listou uma infinidade de coisas e, no final, acrescentou:
— E ultimamente ele tem comido muito pouco, como um passarinho.
Nádia olhou para as duas páginas cheias de anotações e pensou que ele não era como um passarinho, mas sim como um gato.
Exigente e difícil de agradar.
E mesmo que ela o agradasse, não receberia um pingo de gratidão.
— Vá com calma. — Roberto arrotou. — Meu irmão aceitou sua massagem hoje, isso já é um progresso. Tenho certeza de que você vai conseguir.
***

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