Lembrou-se da primeira vez que conhecera Eunice, da maneira incisiva e agressiva dela.
No entanto, agora, ao encarar aquelas palavras frias e distantes, achou que Eunice nem era tão autoritária assim; pelo contrário, parecia até um pouco digna de pena.
Teresa apertou os dedos até formarem um punho, a cabeça encostada ao lado do notebook, sem saber ao certo que sentimento deveria ter naquele momento.
Não se sabia quanto tempo havia passado, mas quando o suave aroma de tinta pairou ao redor do nariz, ela abriu os olhos e deu de cara com o olhar calmo e sereno de Robson.
"Por que está sentada no chão?"
Robson estendeu a mão para ajudar Teresa a se levantar; ao sair, ela estava deitada confortavelmente na cama.
Teresa, como se tivesse levado um choque, afastou a própria mão e recuou um passo. "Não foi nada."
Robson recolheu a mão suspensa no ar, a postura elegante e ereta, fitando-a com seriedade.
No quarto, um leve cheiro de tabaco misturava-se ao aroma de cedro.
Seus olhos negros escondiam correntes profundas, invisíveis para ela.
"Sr. General, descanse cedo." O tom deliberadamente frio de Teresa fez com que Robson franzisse levemente a testa, mas logo relaxou, como se aquilo não tivesse lhe afetado em nada.
Robson respondeu em voz baixa: "Hum."
Ao sair do quarto, a porta fechou-se rapidamente atrás dele, como se fosse um ladrão a ser mantido longe.
Finalmente, ele se irritou um pouco.
Quando Luana foi chamada à presença de Robson, viu que o policial à paisana que ele havia dispensado estava cabisbaixo, com jeito de quem estava levando uma bronca.
Robson estava sentado no sofá, os dedos levemente curvados, o olhar fixo na porta fechada do quarto em frente.
"Sr. General, só nos ausentamos por alguns minutos, naquela hora era a Srta. Carneiro quem estava de olho." O policial sentia-se especialmente injustiçado; afinal, a pessoa ainda estava ali, não havia sumido.
Luana, ao entrar, logo entendeu o que estava acontecendo. "Sr. General, tive um desconforto e precisei sair por alguns minutos. Aconteceu alguma coisa com a Srta. Souza?"
Robson bateu duas vezes com os dedos curvados no braço do sofá; o som foi baixo, mas suficiente para assustar os três presentes, quase fazendo-os cair de joelhos.
"Não precisam mais ficar aqui comigo."
Ao ouvir isso, os três se assustaram ainda mais, especialmente Luana.
"Sr. General, afinal, o que fizemos de errado?"
Luana arriscou-se a argumentar, sabendo que ele não era alguém irracional e, além disso, ela detinha muitos segredos da base, e também segredos de Robson.
Se fosse afastada, para proteger Robson e a base, certamente seria colocada de lado, enviada sabe-se lá para qual canto remoto do Brasil.
Ele podia imaginar o que Marcos teria dito a ela.
O que o perturbava era o fato de que, se ela não perguntasse, ele não teria como explicar.
Mesmo já sendo o marido dela.
Seus olhos escureceram um pouco mais, e ele fez uma ligação; assim que desligou—
Teresa abriu a porta, correndo até ele, ofegante, com o celular na mão.
Robson continuou sentado no sofá, observando Teresa se aproximar com o rosto bonito e ansioso e, nos poucos segundos em que ela correu até ele, com dificuldade por causa do ferimento no pé.
Os olhos frios de Robson agora estavam cheios de ondas tempestuosas; seus sentimentos afundaram.
No íntimo, pensou: ela já era sua esposa, se não agisse logo, poderia perdê-la para outro.
Não valeria a pena.
No instante em que Teresa cruzou a soleira e o pé tocou o chão, cambaleando para o lado, ele estendeu o braço longo e envolveu a cintura delicada dela, fazendo com que caísse em seu colo.
Nesse momento, um grito soou do celular.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Máscara do Casamento: Sinceridade e Engano
Por que escrevem que os capítulos são gratuitos e no entanto do 41 para frente estão todos bloqueados e tem que pagar? Por que mentir que são liberados?...