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A Mentira do Marido romance Capítulo 15

O quarto foi preenchido por risadas cristalinas.

Vitória permaneceu parada na porta, ouvindo em silêncio. Os repetidos chamados de "Sra. Rocha" por parte da criança soavam como marteladas, batendo forte em seu peito, fazendo suas têmporas latejarem de dor.

Ela lançou um olhar sarcástico para aquela cena de aparente harmonia entre mãe e filha, depois empurrou a porta, entrando sem cerimônia, e colocou o contrato diante de Angelina.

"Srta. Lopes, seu contrato já está pronto. Se não houver problemas, pode assinar."

As palavras de Vitória interromperam a harmonia entre as duas.

Angelina pegou o contrato; ao ver o salário triplicado, tapou a boca, surpresa.

"Meu Deus, vão mesmo me pagar o triplo? Isso é demais, obrigada, Gerente Rocha, pelo cuidado."

Vitória a olhava friamente, percebendo que ela sabia muito bem de quem era aquela decisão, mas ainda assim fazia questão de provocar.

"Não fui eu quem decidiu. Com essa sua atuação ridícula, se não fosse a Mafalda te abrindo as portas, eu jamais teria te contratado."

O sorriso de Angelina se desfez no mesmo instante.

Mafalda também arregalou os olhos, nunca tinha ouvido Vitória falar com aquele tom.

Ela abriu a boca: "Mãe, você… você está brava comigo?"

"Não, não há motivo." Vitória respondeu, sem desviar o olhar, mas sem encará-la. "Assine, Srta. Lopes."

Angelina umedeceu os lábios, assinou o contrato e o estendeu para Vitória.

Quando Vitória estava prestes a pegar o contrato, Angelina retirou a mão e se levantou.

"Gerente Rocha, mesmo que você não admita, eu sei que você ficou chateada, que tem algo contra mim."

Vitória: "?"

Com um sorriso ambíguo, respondeu: "O que eu teria contra você?"

"Você ficou incomodada quando viu a Mafalda me dar o tsuru, não ficou?"

Angelina mordeu o lábio, tirou da bolsa o pote com o tsuru e mostrou para Vitória, para que ela visse claramente.

"Mafalda só me deu porque gosta de mim, eu sei que foi tarefa da professora da creche, que era para dar só para os pais, mas… é o carinho de uma criança, eu não quis rejeitar."

Em que momento ela teria sido injusta com essa atriz de quinta categoria?

O olhar de Vitória escureceu; ela simplesmente arrancou o tsuru da mão de Angelina, abriu o pote e despejou o tsuru, rasgando-o em pedaços antes de jogá-lo no lixo.

Tudo aconteceu em menos de cinco segundos.

Angelina e Mafalda ficaram paralisadas, olhos arregalados de incredulidade.

"O que… o que você está fazendo?"

Vitória ergueu a sobrancelha: "Já que esse troço era motivo de tanta disputa, agora ninguém fica com ele. Assim, ninguém pode dizer que fui injusta."

Angelina engoliu em seco: "Mas foi tão difícil para a Mafalda fazer, era a dedicação dela."

Mafalda baixou os olhos, o rosto prestes a explodir em lágrimas.

Vitória a olhou de cima, imponente.

Depois de cinco anos cuidando de Mafalda, sabia muito bem: quando a menina fazia aquela expressão, era para que ela fosse consolá-la.

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