Vitória sentou-se novamente na cama e falou com indiferença: "Se está com febre, é só tomar um antitérmico. Tem lá embaixo, não precisa vir pedir para mim."
A empregada ficou em silêncio por dois segundos e hesitou ao dizer: "A senhora não vai descer para ver a menina?"
"Eu não sou médica, ver para quê? Depois que der o remédio, meça a temperatura dela daqui a duas horas. Se ainda estiver com febre, chame o médico da família."
Vitória deu as instruções friamente, puxou o cobertor e voltou a dormir.
A empregada não esperava essa reação, mas só lhe restou correr para tentar contatar o médico.
Duas horas depois, a empregada bateu à porta novamente.
"Senhora, a menina ainda não melhorou da febre. O contato do médico da família sumiu, a senhora pode ligar para o senhor Abel e pedir para ele avisar o médico?"
"E mais, a menina está se sentindo muito mal e não para de chamar pela senhora."
Vitória foi tirada do sono e, após inspirar fundo, não teve escolha senão se levantar, abrir a porta e sair do quarto.
Ao vê-la, a empregada suspirou aliviada: "A menina está procurando a senhora."
Com o rosto impassível, Vitória foi até o quarto infantil ao lado e viu Mafalda deitada na cama, o rosto todo vermelho de febre, chamando por ela, meio consciente.
"Mamãe, mamãe..."
Naquele instante, Vitória não correu para perto dela como costumava fazer.
Ela apenas ficou parada, questionando-se se Mafalda estava chamando por ela ou por Angelina.
Vitória apertou os lábios e, devagar, aproximou-se da cama, perguntando: "Mafalda, quem é sua mãe?"
Ouvindo a voz familiar, Mafalda deu sinais de que tentava abrir os olhos.
Ela se mexia desconfortável, o rostinho todo enrugado, o corpo coberto de suor pegajoso.
Vitória franziu levemente a testa.
A empregada, percebendo a gravidade, alertou depressa: "Senhora, é melhor ligar logo para o senhor Abel. Se não trouxerem o médico da família, a menina pode piorar! Ainda mais a essa hora da noite."
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