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A Mentira do Marido romance Capítulo 9

Abel pressionou discretamente a borda da cama.

Ele levantou o olhar e, diante do questionamento de Vitória, respondeu com seriedade e solenidade: "Angelina foi minha colega na universidade."

Vitória arqueou as sobrancelhas: "Você trata todos os colegas de faculdade tão bem assim, com tanto cuidado?"

"Quando vejo uma colega sendo humilhada, ainda mais uma mulher sem nenhuma proteção ou influência, sinto que não fiz nada de errado esta noite. Ao contrário, se eu tivesse ficado de braços cruzados, aí sim você se decepcionaria comigo, não é?"

Abel não apenas argumentou com grandiloquência, como ainda tentou impor uma pressão moral sobre Vitória.

Depois de ouvi-lo, Vitória achou tudo ainda mais ridículo.

Ela se virou, abrindo caminho para Abel.

"Faça como quiser, pode fazer o que bem entender. Se sair mais algum boato entre vocês, não vou mais me meter."

Abel ficou surpreso e só então percebeu que, de fato, não seria apropriado ir ao local e se encontrar com Angelina novamente.

Ele segurou Vitória pelo braço: "Amor, você pode ajudar a Srta. Lopes por mim? Afinal, tudo isso começou por minha causa, não quero que ela seja prejudicada."

Vitória ficou chocada.

Ela já trabalhava duro administrando a empresa para Abel, cuidava com dedicação do filho dele com outra mulher.

No fim das contas, ainda teria que ajudar Abel a proteger a antiga paixão dele?

Nem vampiro chegaria a sugar tanto de alguém.

Vitória quase explodiu.

Ela lutou para conter o impulso de pedir o divórcio e sair batendo a porta.

Só de pensar que as ações e as finanças da empresa estavam nas mãos de Abel, ela não conseguia engolir aquela situação.

Ainda não tinha conseguido garantir o que era dela por direito; por que deveria sair de mãos abanando num divórcio?

Aguente mais um pouco.

Assim que conseguisse o que lhe pertencia, se livraria de vez dessas pessoas detestáveis.

Vitória se acalmou internamente e respondeu, contida: "Eu vou resolver."

Angelina, porém, fez questão de bloqueá-la, como se precisasse vê-la perder a compostura.

"Eu e o Abel nos conhecemos há muito tempo, temos uma ligação profunda. Desta vez ele arriscou tudo para me ajudar por vontade própria, não foi porque eu quis usá-lo como escudo. Espero que você não entenda mal."

Vitória parou, achando graça da expressão indefesa de Angelina.

Ela cruzou os braços, erguendo levemente as sobrancelhas: "A Srta. Lopes acabou de voltar do exterior, não é? Talvez ainda não saiba que o meio artístico aqui é assim: ou você é realmente competente, ou sabe agradar, sair para beber e aproveitar as oportunidades."

Angelina ficou sem reação.

Vitória ironizou: "Se você não tem talento para conquistar um papel por mérito próprio, mas faz pose de superioridade e recusa beber com os diretores, acha que é uma estrela consagrada? Hoje o Abel te ajudou, mas da próxima vez pode não ser assim. Aos poucos, você não conseguirá mais trabalho."

Ela ergueu a mão e deu leves tapinhas no ombro de Angelina, assumindo a postura de uma veterana do show business.

"Aprenda a se adaptar, Srta. Lopes. Reconheça sua posição e suas capacidades. Só não vá aparecer nas manchetes não pelo seu talento, mas por ficar envolvida com marido alheio."

Essas palavras, embora soassem como um conselho, eram muito mais uma ironia afiada, que dizia tudo sem precisar explicitar.

Angelina baixou os olhos, apertando os lábios, os dedos afundados na bolsa de couro macio.

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