— Se as coisas ficarem feias, a mulher precisa de uma última lembrança...
— Não repita isso. — Seu rosto parecia gelo, e a voz de Valentino mostrava desprazer.
— Não perca tempo, ligue logo. Ela está pedindo para ver ela.
Valentino cravou um olhar de morte nele e pegou o celular para ligar.
— O número que você ligou está desligado...
Valentino enrugou o meio dos olhos, acionando a tela mais uma vez.
O barulho automatizado atingiu seus ouvidos.
— Sem sinal? — Com seu rosto feio, Helena disparou uma dúvida.
Não podia acontecer; se Flávia pudesse barrar a avó no telefone, nunca trancaria Valentino. Foi amor construído por todo seu passado de amizade; bloquear contato parecia mentira.
— Deixa.
A mulher empunhou seu celular e testou; também mostrava bloqueio de contato.
O olhar de Valentino pesou nos números discados. Pensou um pouco e apertou o botão na conta de Pietra.
Atravessando as catracas do aeroporto, a garota olhou o número; a surpresa atingiu a pele dela.
E assim deixou até que caísse.
— O que você quer agora?
— Cadê ela? — Não deu corda aos ataques.
— Se manca. — Bateu boca com o homem pelo telefone. — Acha que pode me dar ordens como se fosse alguma autoridade importante?
— Não perca meu tempo. A avó deu entrada na Unidade de Terapia Intensiva. Escutando as broncas desnecessárias de homem mal-educado, a raiva de Pietra subiu à cabeça.
Preparando a língua solta para dar respostas atravessadas, um sinal de mudo bateu.
— Maldito Valentino.
Sua boca desfiou insultos, alterando a caminhada de pernas para retornar.
Sua mão bateu as teclas no painel digital para ele, atendendo num estalo.

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