— A culpa é minha, a culpa é toda minha. Se não fosse por mim, a avó não teria passado mal.
Arthur aproximou-se de Valentino e deu um tapinha em seu ombro.
— A avó vai ficar bem.
Valentino, com as feições rígidas e frias, assentiu rapidamente.
Tarde da noite.
Pietra perguntou a Flávia em voz baixa: — Flávia, você não comeu nada o dia todo. O que você quer comer? Eu vou comprar.
Flávia mantinha o olhar fixo na sala de cirurgia e não reagiu às palavras dela.
Pietra suspirou e deu um tapinha nela. Flávia olhou para ela com um olhar perdido.
— Eu disse, o que você quer comer? Eu vou comprar.
— Pietra, eu não estou com fome. — Flávia tentou muito sorrir, mas não conseguiu de jeito nenhum.
— Se não quiser sorrir, não sorria. Não se force. — Pietra acariciou o rosto dela com pena, sentindo uma vontade de chorar no fundo do nariz.
Arthur olhou de esguelha e, vendo o estado de tristeza de Flávia, franziu a testa.
Quando estava prestes a falar, viu Rafael vir correndo em passinhos na esquina.
Com o rosto cheio de ansiedade, ele chegou diante de Flávia e levantou a mão para acariciar seus longos cabelos lisos.
— Cheguei. — A voz do homem soou rouca.
Flávia ergueu a cabeça e olhou com apatia para Rafael. Ao reconhecer quem era, não conseguiu mais segurar as emoções.
Rafael agachou-se, abraçou-a e, com uma mão, começou a dar tapinhas nas costas dela como se estivesse consolando uma criança, murmurando suavemente: — Chora, bota tudo para fora que vai melhorar. Eu estou aqui.
Flávia mordeu o lábio com força, recusando-se a soltar o choro, enquanto as lágrimas continuavam a cair.
O choro contido da mulher ecoou pelo corredor, soando de partir o coração.
— A Flávia ainda não comeu nada hoje. Vou comprar algo para ela. — Pietra disse a Rafael.

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