— Quem te deu permissão para vir à empresa? E ainda fica falando besteira na porta, que vergonha!
— O que eu disse? Que Graciele é uma impostora?! Eu não falei besteira, apenas a verdade. A vergonha é da ladra que roubou a criança e da intrusa que assumiu a identidade de outra pessoa. Eu, como vítima, não tenho do que me envergonhar.
Após dizer isso, Ivânia caminhou lentamente até o sofá em frente a Sérgio, sentou-se, cruzou as pernas de forma relaxada e disse a Vanessa, que estava ao lado.
— Sra. Machado, por favor, me traga um café, um cappuccino, com leite extra, sem açúcar, obrigada.
— Certo, senhorita. — Vanessa, vendo que Ivânia lidava com Sérgio com desenvoltura, sorriu e saiu.
— O que você quer, vindo à empresa de repente hoje? — Perguntou Sérgio com voz fria, depois que Vanessa saiu.
— Ah. Eu quero me tornar uma artista da empresa e, como tal, assinar contrato com a equipe do Diretor Coelho. Pai, eu sou sua filha biológica. Se eu ficar famosa, também posso gerar lucro para a empresa. O dinheiro fica em casa, não é? — Respondeu Ivânia.
Sérgio não esperava que Ivânia quisesse se tornar uma artista da empresa.
Provavelmente, era mais uma tentativa de competir com Graciele, pensando que, ao se tornar uma artista contratada, teria tantos recursos quanto ela.
Essa idiota, mesmo depois de todos esses anos na família Torres, ainda não entendia seu lugar e sonhava em se comparar a Graciele.
No entanto, Sérgio não a recusaria.
Torná-la uma artista contratada pela empresa facilitaria seu controle sobre ela.
Se ele não quisesse que ela se destacasse, poderia simplesmente colocá-la na geladeira.
— Se você quer se tornar uma artista da empresa, tudo bem. Mas, como artista da empresa, você terá que seguir as ordens da empresa a partir de agora.
— Certo. — Ivânia assentiu com indiferença.
Nesse momento, Vanessa bateu na porta e entrou, segurando uma bandeja com um cappuccino para Ivânia e o café que Sérgio costumava beber.
— Vanessa, traga uma cópia do contrato de artista para ela. A partir de agora, ela é a nova contratada da empresa, e você ficará responsável por ela por enquanto.
Sérgio, com o rosto sério, pegou o contrato assinado.
Seus dedos batiam levemente no contrato, como se, com isso, ele tivesse Ivânia sob seu controle.
— Já que você assinou o contrato, agora é uma artista da empresa e deve seguir as ordens da empresa. O filme do Diretor Coelho não é adequado para você. Em nome da empresa, vou recusar o papel e devolvê-lo a Graciele.
Sérgio disse de forma categórica.
Ao ouvir isso, Ivânia deu uma risada de escárnio.
Sérgio ainda não havia desistido de dar o papel à sua filha ilegítima.
— Mesmo que eu recuse, o papel principal não iria para Graciele. Ela não se olha no espelho? Não vê a figura que tem...
— Cale a boca! Quem te deu permissão para falar assim da sua irmã? Que desrespeito! — Sérgio se enfureceu, pegou a xícara de café da mesa e a atirou em Ivânia.

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