Enseada dos Corais, mansão dos Mendes.
A velha mansão era imponente e exalava solidez. Paredes brancas, corredores em arcos e pátios repletos de palmeiras altas, com o reflexo brilhante de uma piscina privativa ao fundo.
Cruzando o corredor, chegava-se à sala de estar principal.
O lustre de cristal iluminava o ambiente feito o sol do meio-dia. Algumas pessoas ocupavam os sofás de couro preto.
No lugar de honra sentava-se Dona Helena Mendes, de cabelos totalmente prateados. O rosto estava coberto de sorrisos cheios de vigor, mas mantinha uma autoridade inata. Ao lado dela estavam a tia, Sílvia Barros, e a prima, Tatiana Mendes.
Quando Henrique entrou de mãos dadas com Natália, todos os olhares convergiram para eles.
— Seu moleque, chegou e nem avisou.
A repreensão era carinhosa e cheia de tolerância. Enquanto Dona Helena falava, seus olhos já estavam fixos em Natália, com um sorriso gentil e bondoso. — Então essa é a menina da família Rocha? Venha, chegue mais perto para a avó ver...
Natália deu alguns passos e sentiu as mãos serem seguradas por Dona Helena, que a observou de cima a baixo com os olhos semicerrados de tanta alegria.
Dizem que o carinho pelos netos é o maior que existe, ainda mais quando se trata do mais bem-sucedido deles. Ver o neto preferido trazer para casa uma garota tão linda naturalmente a deixava em êxtase.
As palmas das mãos de Natália suavam levemente. Ela assentiu: — Boa tarde, senhora. Eu sou a Jéssica.
Ao lado, o olhar de Sílvia Barros corria pelo corpo da moça.
O vestido branco de corte minimalista destacava as curvas harmoniosas e delicadas da jovem, marcando a cintura incrivelmente fina. Sob a barra do vestido, despontavam tornozelos finos e da cor de porcelana.
O mais impressionante era o rosto. A pele era branca como a neve e os traços faciais, requintados como se tivessem sido desenhados por um pincel meticuloso. Os olhos amendoados eram límpidos e brilhantes, com os cantos naturalmente curvados para cima, conferindo-lhe uma sedução inconsciente a cada olhar.
— Realmente muito bonita... — Sílvia sorriu ao falar, mas seu tom carregava um duplo sentido. — Não é de admirar que o Henrique tenha aceitado usar você para o ritual de sorte.
Ritual de sorte?
Natália estagnou por um instante e olhou para Henrique, aturdida.
Sorte contra o quê?
Enquanto isso, Henrique estava encostado no sofá com as longas pernas cruzadas. Brincava com um isqueiro de prata na mão, abrindo e fechando a tampa metálica, emitindo nítidos cliques.
Como se percebesse o olhar dela, ele ergueu os olhos, a expressão plácida e vazia.

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