Mas Henrique Mendes não disse mais nada, apenas virou o corpo ligeiramente, com o olhar voltado para a direção da mesa de plantão.
Nesse momento, um homem de meia-idade de uniforme saiu apressadamente de lá dentro. Com três estrelas nas dragonas, era o subchefe de polícia.
Ele se aproximou de Henrique Mendes e curvou-se profundamente. Seu tom era tão respeitoso que beirava a adulação:
— Sr. Mendes, como é que veio pessoalmente? Para uma questão tão pequena, bastava uma ligação...
Henrique respondeu com indiferença:
— É um garoto da família, vim dar uma olhada.
O subchefe olhou imediatamente para Ricardo Rocha, com os olhos brilhando:
— Então este é o jovem mestre Mendes! Foi um mal-entendido, tudo não passou de um grande mal-entendido!
Os cantos da boca de Ricardo tremeram.
Jovem mestre Mendes?
Seu sobrenome era Rocha, ora essa!
Espere...
Mendes?
A mente de Ricardo zumbiu de repente.
Ele finalmente se lembrou de onde tinha visto aquele rosto...
Era uma figura frequente nas capas de revistas financeiras e ocasionalmente aparecia nas manchetes de fofocas. Embora não passassem de rumores infundados, Ricardo se lembrava muito bem do rosto nas fotos.
Porque era marcante demais.
Aquele rosto seria considerado de primeira linha até mesmo na indústria do entretenimento, mas o homem havia nascido na família Mendes e detinha um poder avassalador.
O segundo mestre da família Mendes.
Henrique Mendes.
Seu futuro cunhado mais velho!
Porém...
Como se repentinamente lembrasse de algo, Ricardo virou a cabeça bruscamente e olhou para Natália Rocha com os olhos arregalados.
Havia algo errado!
A pessoa que iria se casar com Henrique Mendes não era sua irmã mais velha, Jéssica Rocha?
Então, por que ele tinha vindo com sua segunda irmã buscá-lo na delegacia?
Lá na mesa de plantão, Natália estava de cabeça baixa preenchendo um formulário. Seu perfil, sob a luz fluorescente, era tão alvo que parecia quase transparente.
Com o subchefe acompanhando pessoalmente o processo, a eficiência foi assustadora. Em menos de dez minutos, todas as formalidades estavam concluídas.
— Podemos ir.
Natália voltou para perto dos bancos, dobrando o recibo e guardando-o na bolsa.
Ricardo saiu correndo imediatamente da sala de detenção. Ele limpou a poeira do uniforme escolar, aproximou-se de Natália e baixou a voz:
— Irmã, não é aquele cara da família Mendes? Como é que você...
Mas antes que ele pudesse terminar, Natália o interrompeu às pressas. Puxando Ricardo pelo braço em direção à saída, disse:
— Não faça tantas perguntas. Vamos logo para casa, o papai e a mamãe devem estar preocupados.
Sendo arrastado, Ricardo tropeçou, mas ainda teimou em olhar para trás e encarar Henrique.

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