Pamela
Eu nunca tinha sentido meu coração bater tão rápido dentro do elevador como naquele dia. Ainda estava em choque com a promoção. Eu, Pamela Monteiro, agora tinha um cargo novo, mais responsabilidades e, ao mesmo tempo, uma tonelada de preocupações novas. Passei o caminho de volta pra casa tentando imaginar como contaria isso pra Caleb. Era estranho pensar nisso porque, apesar de sermos marido e mulher, ainda havia essa linha invisível entre o que eu conquistava sozinha e o que as pessoas acreditariam que ele tinha feito por mim.
Nós tínhamos nos mudados da mansão Belmont, para uma mansão um pouco menor que o pai do Caleb fez questão de nos dá. Era enorme, mas não tão grande quanto a mãos dos pais do Caleb
Estacionei o carro na garagem da mansão e fiquei um tempinho dentro, respirando fundo. O carro ainda tinha aquele cheiro de novo, e sempre que eu sentia, lembrava que era um presente dele. Um presente que eu usava justamente para manter certa distância: eu queria que o mundo me visse independente, mesmo sabendo que, no fundo, tudo tinha a ver com ele.
Subi as escadas da entrada e o encontrei na sala, sentado no sofá, com a gravata já solta e os cabelos um pouco bagunçados. Parecia uma cena de comercial de uísque: CEO poderoso, relaxando em casa depois de um dia de decisões milionárias. Quando ele me olhou, senti o impacto de sempre. Era como se toda a minha coragem se desfizesse só de ver o jeito que ele me observava.
— Você chegou tarde hoje — ele comentou, a voz grave ecoando na sala.
— Tive… novidades no trabalho — respondi, e não consegui segurar um sorriso que escapou sozinho.
Ele arqueou uma sobrancelha, curioso. — Que tipo de novidades?
Me sentei ao lado dele no sofá, tentando agir natural, mas a excitação me deixava inquieta. Apoiei as mãos no colo e, sem conseguir esperar mais, soltei:
— Eu fui promovida.
O silêncio durou apenas alguns segundos, mas foi intenso. Caleb me olhou de um jeito que misturava orgulho e algo que eu não conseguia decifrar. Então, ele abriu aquele sorriso dele — um sorriso que sempre me desmontava inteira.
— Eu sabia que você merecia isso — ele disse, a voz suave mas firme, cheia de certeza. — Sempre soube. Você é dedicada, inteligente, e ninguém segura você quando decide algo.
Senti meu coração se aquecer. O jeito como ele falava parecia tão simples, mas cada palavra dele tinha peso. Eu me derreti, mas tentei disfarçar com um risinho tímido.
— Obrigada… — respondi, quase sussurrando. — É importante pra mim que você pense isso.
Ele passou a mão pelo meu rosto, devagar, como se estivesse memorizando cada detalhe. Mas, logo depois, a expressão dele mudou. O sorriso continuava, mas havia uma pontada de frustração nos olhos.
— Só tem uma coisa que não me deixa tão feliz nessa história… — disse, se inclinando pra trás no sofá.
Meu estômago gelou por um segundo. — O quê?
— Agora… eu não vou mais poder provocar você durante o expediente. — Ele soltou a frase com aquele tom carregado de malícia, um meio sorriso brincando nos lábios.
Não consegui evitar a gargalhada que escapou. Ele sempre conseguia quebrar qualquer clima sério com uma provocação.
— Ah, então é isso? — perguntei, cruzando os braços, tentando fingir que não estava achando graça. — O CEO poderoso da Belmont Enterprises está triste porque não vai mais conseguir me deixar nervosa durante o horário de trabalho?
Ele se aproximou, o olhar queimando de desejo, e murmurou:

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