Cristina não conseguiu ver seu rosto, mas, como médica, era muito sensível ao cheiro de ervas medicinais.
No momento em que a janela do carro se abriu, ela sentiu um leve aroma de remédio...
Cristina, versada nas leitutas sobre medicina, sabia que pessoas com doenças crônicas poderiam ser sensíveis à luz.
Adilson insistiu.
— Sr. Jamal, o senhor não quer ver o chefe primeiro?
O menino, distraído, disse a Cristina.
— Senhorita, espere por mim um pouco, não vá a lugar nenhum, ok? Eu volto logo.
Cristina assentiu.
O menino correu apressado em direção ao carro.
Adilson, que ficou para trás, entregou-lhe um cartão.
— Srta. Gondim, obrigado por salvar nosso senhor. Este é um presente de agradecimento, por favor, aceite.
— Então você me conhece. — Cristina sorriu com um toque de ironia, o canto de seus olhos se erguendo. — Você não parece estar me agradecendo, mas sim com pressa de se livrar de mim.
Os dedos de Adilson hesitaram.
— Srta. Gondim, você entendeu mal.
— Não importa. — Cristina virou o rosto para olhar o menino. — Diga a ele depois que eu fui embora.
Com isso, ela esticou sua longa perna e se levantou dos degraus, sem a menor intenção de olhar para trás.
Adilson suspirou aliviado. Ele realmente temia que essa falsa herdeira, expulsa pela família Junqueira, se agarrasse a Jamal.
Sob a luz do crepúsculo, Cristina carregava sua bolsa preta. Seus cabelos escuros e longos estavam presos de forma elegante com um grampo de madeira. O pôr do sol a envolvia em um halo de luz, e sua silhueta, ao se afastar, era ao mesmo tempo imponente e bela.
O homem sentado no Maybach virou o rosto e só conseguiu vislumbrar essa cena. Sua mão afagava a cabeça do menino, e sua voz continha um sorriso.
— Essa é a pessoa que te salvou?
— Essa? Onde? — O menino se endireitou em seu assento e, em seguida, ficou agitado. — Por que ela foi embora? Adilson!
Adilson se aproximou, curvando-se.
— Ela nem me conhece, que intenções ela poderia ter? — A frieza do menino se intensificou. — A culpa foi de vocês por não cuidarem de mim, me deixando desmaiar na rua. Foi uma insolação repentina. Se não fosse por ela, mesmo que eu não fosse sequestrado por bandidos, teria morrido na rua. Você...
— Jamal Torres. — O homem no banco de trás interrompeu o menino. Ele estava sentado ali, seu terno preto parecendo feito sob medida, sem um único vinco. Em seu pulso de pele pálida, usava um rosário de contas vermelhas, o que lhe conferia uma aparência fria e sedutora. — Não fale bobagens.
O menino sabia que seu irmão estava com raiva, senão não o teria chamado pelo nome completo. Ele apertou os lábios, mergulhando no abraço do homem, sua voz abafada.
— Elísio, eu finalmente encontrei uma namorada para você, e agora tudo se foi. A senhorita com certeza não gosta mais de mim.
E pensar que ele tinha se comportado tão bem na frente dela.
O homem suspirou longamente, virando o rostinho do menino com os dedos.
— Não precisa se preocupar com a minha vida amorosa, entendeu?
Enquanto falava, o homem ergueu os olhos, sinalizando para o motorista partir.
Gradualmente, o espelho retrovisor revelou um rosto de beleza estonteante: um nariz proeminente, pele alva e fria, lábios finos e pálidos, com um ar doentio, como uma peça de jade requintada.
Tal beleza só poderia pertencer a Elísio Torres, o renomado patriarca de Vale da Lua Verda e presidente do Grupo Torres...

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