Jorge baixou o olhar, tentando ocultar a tempestade que se agitava por trás de seus olhos.
— Tá, que bom que você já está melhor. Preciso ir embora. — Murmurou ele, enquanto alcançava seu casaco e caminhava em direção à porta.
— Espere, Dr. Jorge! — Chamou Isabela, sua voz ecoando pelo pequeno apartamento.
Ele congelou onde estava, mas não se virou, evitando deliberadamente qualquer encontro visual com ela.
— O senhor passou a noite toda cuidando de mim, não é? — Perguntou ela com suavidade. — Deve estar morrendo de fome. Posso preparar um café da manhã rapidinho antes do senhor sair.
Era o jeito dela de demonstrar gratidão.
No fundo, Jorge queria ficar. No entanto... Do jeito que ela estava agora... Permanecer ali seria um verdadeiro suplício. Temia não conseguir controlar seus impulsos.
— Não se preocupe comigo. — Respondeu ele secamente. — Guarde isso.
Sem mais palavras, abriu a porta e saiu.
Lá fora, o frio cortava muito mais que dentro do apartamento. Mesmo assim, nem a brisa gelada conseguiu apaziguar o calor que o consumia por dentro.
Morando nas redondezas, Jorge chegou em seu apartamento em questão de minutos. Mal entrou, se despiu e seguiu direto para o chuveiro. A água começou a cair num ritmo constante e reconfortante. Imóvel, se deixou ficar sob o jato quente, inclinando ligeiramente a cabeça para trás. As gotas escorriam pelo seu rosto, deslizando pelas feições marcadas pelo cansaço, descendo pelo pomo-de-Adão proeminente até se espalharem pelo peito robusto.
Seu físico alto e esbelto, com ombros largos e cintura estreita, exibia um abdômen bem definido. Cada músculo se desenhava com precisão natural, emanando uma força contida e disciplinada.
Ele apoiou as palmas na parede já embaçada pelo vapor. Seus dedos longos, de unhas bem-cuidadas, se abriram contra a superfície fria dos azulejos.
Fechou os olhos com força. Em sua mente, a imagem de Isabela surgia vívida e insistente. Não era uma imagem dela nua. Não havia nada explicitamente provocante. E mesmo assim, ele se sentia completamente à deriva.
Será que o gostar sempre vinha acompanhado desse desejo avassalador?
O vapor havia tomado conta do banheiro quando, finalmente, Jorge saiu envolto em seu roupão.
Agora, estava mais sereno.
Pegou o celular e digitou uma mensagem para Isabela: [Prepare o café e traga para mim.]
Isabela estava fritando um ovo quando a notificação chegou.
Piscou várias vezes, confusa. O que fazer agora?
Jorge a observou atentamente. O cabelo dela já estava seco, e vestia roupas bem compostas.
Desviou o olhar e pegou os talheres.
— Parece delicioso. — Comentou, inspirando o aroma da comida.
Isabela sorriu, aliviada.
...
Era dia claro, mas dentro do bar, a iluminação era escassa, e a música, ensurdecedora. A pista de dança fervilhava de gente.
Um rapaz loiro, de aparência descuidada, com um brinco prateado reluzindo na orelha esquerda, mastigava chiclete ruidosamente. Segurava com descaso um pequeno saco plástico repleto de comprimidos vermelhos, cor-de-rosa e amarelos.
Ele assobiou para chamar a atenção de Danilo.
— E aí, mano. Está a fim de experimentar isso aqui? — Perguntou ele, com um sorriso malicioso.

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