— Você não ouviu coisa nenhuma. — Cortou Jorge secamente, encerrando a ligação sem dar chance para réplicas.
Do outro lado da linha, Luan ficou paralisado, encarando o telefonema com os olhos arregalados. "Será possível que o Sr. Jorge finalmente está namorando?", pensou ele, incrêdulo.
Com movimentos calculados, Jorge guardou o celular no bolso e se ergueu para buscar um copo de água em uma mesa próxima. Voltou para se sentar na beirada do colchão e, com delicadeza, apoiou gentilmente a nuca de Isabela, a ajudando a se levantar um pouco.
Ele aproximou o copo dos lábios ressecados dela.
Sentindo o alívio da água tocando sua garganta, Isabela tomou o líquido com avidez, como se não bebesse há dias. Em questão de instantes, o copo estava vazio.
— Quer mais um pouco? — Perguntou Jorge em tom quase inaudível.
Isabela ergueu o olhar, encontrando aquele rosto de traços firmes e bem definidos tão próximo do seu. Agora, com a mente um pouco mais clara, percebia o quanto seu corpo estava frágil, como se cada gota de energia tivesse sido sugada. Com voz ainda rouca, balbuciou:
— Não... Está bom assim...
De repente consciente da proximidade entre eles, Isabela se afastou bruscamente, puxando o decote da blusa num gesto nervoso e instintivo.
— Dr. Jorge? — Gaguejou, confusa. — O que o senhor está fazendo aqui no hospital?
— Minha irmã sofreu um acidente. — Respondeu ele com naturalidade, depositando o copo vazio sobre a mesa lateral. — Vim ver como ela está.
Isabela piscou várias vezes, visivelmente surpresa.
Mesmo após meses trabalhando juntos, Jorge raramente falava sobre sua vida pessoal ou família. Então ele tinha uma irmã... Com aquela genética privilegiada, ela provavelmente também devia ser impressionante.
— Dr. Jorge, já estou me sentindo melhor. — Disse ela, desviando o olhar para as próprias mãos. — Obrigada por... Por cuidar de mim. Acho que passei a maior vergonha da minha vida ontem à noite, né?
Ao se recordar de Danilo, seus dedos agarraram o lençol com tanta força...
Jorge não respondeu de imediato. Em vez disso, indagou com voz neutra:
— O que você pretende fazer agora?
— Processar aquele canalha. — Respondeu Isabela sem um segundo de hesitação.
Se nem mesmo ela, uma advogada, conseguisse defender seus próprios direitos, que moral teria para representar os outros?
Jorge se limitou a assentir com um movimento quase imperceptível.
— Vou estar ao seu lado nessa.
Um sorriso amargo escapou dos lábios de Isabela enquanto seu olhar vagava pela janela, se perdendo no horizonte cinzento daquela manhã.
Ao cruzar a porta, Jorge encontrou o olhar interrogativo de Viviane, informando:
— Ela acordou.
Não foi preciso dizer mais. Viviane praticamente voou para dentro do quarto.
— Isa! — Exclamou, a voz embargada pela emoção contida. Parou ao lado da cama, os olhos marejados. — Me perdoa, por favor. Foi tudo culpa minha... O Danilo falou que só queria passar um tempo contigo, conversar... Juro que nunca imaginei que ele fosse capaz de uma coisa dessas...
Jorge ainda podia ouvir a voz angustiada de Viviane enquanto lançava um último olhar para dentro do quarto.
Isabela não parecia culpar a amiga. Como poderia, se nem ela mesma havia previsto tal traição?
— Vivi, preciso que você me ajude com a papelada da alta hospitalar. — Pediu Isabela, estendendo a mão para a amiga. Depois se virou para Hélio. — Hélio, vai até aquele clube agora mesmo e consiga todas as gravações que me mostrem entrando e saindo com Danilo.
Hélio assentiu imediatamente, compreendendo a urgência.
— Pode deixar comigo.
Sabia exatamente o que Isabela pretendia: preservar as provas antes que desaparecessem misteriosamente. Por isso, ele precisava agir rapidamente. As chaves do carro de Viviane ainda estavam em sua mão.

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