Danilo andava inquieto de um lado para outro, a cabeça mal enfaixada, a barba por fazer crescendo desalinhada e as roupas tão amassadas quanto seu semblante. Ao telefone, sua voz oscilava entre desespero e autoridade:
— Esses projetos são a espinha dorsal da empresa, entende? Investimos literalmente todo nosso capital neles. É absolutamente crucial que sejam concluídos, ou ficaremos sem nenhum retorno financeiro. A empresa vai implodir, o fluxo de caixa vai colapsar e teremos que declarar falência. Descubra quem está por trás disso! Mais tarde vou procurar alguém capaz de resolver essa bagunça.
Ao encerrar a chamada, ele ergueu o olhar e viu Isabela.
Os olhares se encontraram e se travaram por alguns segundos através do para-brisa até que ela finalmente saiu do carro.
— Isa... — Chamou Danilo, a voz embargada de ansiedade.
— Não me chame assim. — Cortou Isabela com frieza cortante. — Não somos mais íntimos.
Cada palavra dela era um muro sendo erguido entre eles.
Danilo sentiu as mãos suarem.
— Podemos conversar? — Ele perguntou, engolindo em seco.
Era exatamente o que Isabela buscava.
Com um gesto distante, ela apontou para a pequena cafeteria do outro lado da rua.
— Vamos ali.
Danilo hesitou, dolorosamente consciente da própria aparência deplorável.
— Você não mora nesse condomínio? Poderíamos ir para sua casa.
O rosto de Isabela se contorceu numa mistura de incredulidade e desprezo.
— Você realmente acha que eu deixaria você entrar na minha casa?
Como ele tinha a audácia de sugerir algo assim? Será que realmente acreditava que ela poderia simplesmente apagar tudo o que aconteceu?
— Você já deve ter recebido a notificação do tribunal, não é? — Isabela perguntou, a voz tão gélida quanto seu olhar. — Essa é minha resposta.
Não podia simplesmente fingir que nada havia acontecido. Era impossível. Deixar esse assunto passar seria trair a si mesma, seria uma irresponsabilidade que não conseguiria carregar.
O rosto de Danilo se contorceu, uma dança grotesca de emoções contraditórias.


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