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A Segunda Vida da Senhora Laís romance Capítulo 100

As lágrimas de Laís jorravam, e ela soluçava sem conseguir falar.

— Sim, agora a situação está estável. O médico disse que, após mais alguns dias de observação, se estiver tudo bem, ela poderá ter alta e voltar ao Brasil.

— Se a Carla não tivesse se machucado tão de repente, nós dois teríamos ficado lá mais uns dias cuidando da sua mãe.

Samira contou-lhe a verdade sem floreios.

Num reflexo quase instintivo, Laís se deixou cair e quis ajoelhar-se no chão:

— Tio Tomás, tia Samira, eu não sei nem como agradecer. Eu... Eu nem sei o que dizer.

Samira e Tomás rapidamente a seguraram, impedindo-a de se ajoelhar:

— Não faça isso, de jeito nenhum! Nós somos amigos da sua mãe, e você e a Carla são como irmãs. Por que tanta formalidade num momento desses?

— Se nós dois tivéssemos um problema, a sua mãe com certeza ficaria lá para ajudar. Não há o que agradecer, Laís. Isso é o de menos.

As lágrimas de Laís continuavam a rolar.

Ela logo pegou o próprio celular, querendo ligar para a mãe naquele mesmo instante. Mas no momento em que ia fazer isso, hesitou instintivamente.

Percebendo as preocupações dela, Samira pegou o próprio celular e fez uma videochamada direta para Lídia Lima.

Lídia, sem saber que Laís estava ao lado, atendeu a chamada.

Através da tela, Laís viu o rosto familiar, lindo, porém pálido da sua mãe.

Ela vestia roupas de hospital e havia cortado os seus belos e longos cabelos ondulados. Os grandes olhos pareciam exaustos e sem brilho, e os lábios não tinham cor alguma. Mas a sua aura ainda era muito bonita, apenas uma beleza marcada pelo desgaste.

— O que houve, Samira? Já chegaram a Marbella? A Carla está bem?

— A Carla está ótima, só sofreu alguns ferimentos leves, nada demais. E você, Lídia, está melhor? Conseguiu comer alguma coisa hoje?

Ouvir aquelas palavras fez o coração de Laís dar um solavanco.

A sua mãe não conseguia comer nada?

Não era à toa que parecia ter perdido muito peso, o queixo muito mais pontudo e delineado. O coração de Laís apertou mais uma vez com a angústia.

Ela pausou por um momento, encarando a tela como se tentasse ver através das lágrimas, direto na alma da filha:

— Eu sei de todas as injustiças que você sofreu. Quando eu voltar, farei todos aqueles que ousaram intimidá-la pagarem o preço. Mas agora, preste atenção: quero que se levante e erga a cabeça, não deixe que ninguém a menospreze. Agora você também é mãe, pela sua filha, lute pela sua própria dignidade!

Era ainda o mesmo tom de voz firme e severo que ela sempre usara, mesmo estando numa cama de hospital.

Ouvir todos os barulhos dos equipamentos médicos que vinham do telefone doía no coração de Laís como se fossem punhaladas. O peito dela foi inundado por culpa. Ela enxugou as lágrimas e concordou fortemente com a cabeça:

— Pode deixar, mãe. Não permitirei mais que os sentimentos guiem as minhas escolhas.

— Continue se tratando por aí. Quando puder retornar ao Brasil, eu mesma vou buscá-la.

Olhando atentamente para a tela, Laís conseguiu finalmente enxergar, dentro daqueles olhos tão cansados de sua mãe, um brilho de ternura muito raro.

Lídia Lima estava prestes a mover os lábios para responder, mas de repente um grito afiado e perverso veio da porta do quarto de hospital:

— A Lídia Lima ficou doente? Haha... Que maravilha! Os céus têm olhos e a justiça tarda mas não falha!

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