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A Segunda Vida da Senhora Laís romance Capítulo 126

Ela estava morrendo de dor, tão desesperada que queria pular do prédio. Dessa vez, era de verdade.

Viviane Lacerda estava irritada e ansiosa. Todas as suas emoções foram à flor da pele por causa de Sofia, mas ela fez um esforço monumental para se controlar:

— Chega, chega, tente se acalmar. Se você continuar assim, eu é que vou acabar num hospício.

— O que vamos fazer agora? Jorge Andrade está tão frio com você, o seu pai está gritando para você ir pedir desculpas para a Laís Monteiro, senão ele corta relações com você. Desde que tudo aconteceu, não vimos nem a sombra de alguém da família Andrade... Se as coisas continuarem assim, o que vai ser de você?

— Ainda bem que a sua tia e o seu primo mais velho amam você. Pelo menos eles estão do seu lado. Quanto às suas três primas, esqueça a mais velha, ela obviamente não está do nosso lado. As outras duas também não tomaram partido, não demonstraram a sua posição e continuam escondidas no exterior, não ofendendo ninguém. Que bando de espertalhonas.

— Não seja covarde agora. Você não tem mais ninguém em quem se apoiar, precisa agarrar-se ao seu primo e à sua tia e trazê-los para o nosso lado! Fique tranquila, só pelas coisas que a Lídia Lima disse hoje, a sua mãe com certeza vai ficar do seu lado e lutar até o fim!

Viviane falou tudo de uma vez, e isso acendeu instantaneamente uma luz no coração bagunçado de Sofia.

É verdade. Ela ainda não estava no fundo do poço. Ao menos tinha a sua mãe, a sua tia e o seu primo mais velho. E pelo que ouviu, seu tio também havia deixado claro que voltaria para colocar Laís no seu devido lugar, assim que terminasse os negócios nos próximos dias.

Ela não podia contar com a família Andrade, nem com aquele inútil do seu pai na família Ramos. A sua única tábua de salvação agora era a família Vasconcelos!

Sofia acalmou-se imediatamente. A sua mente começou a trabalhar freneticamente. Precisava encontrar um jeito de revidar com força contra Laís!

— Mãe, me deixe pensar. Me deixe pensar bem.

— Eu me recuso a acreditar que aquela cadela e a mãe dela não têm um ponto fraco. Elas devem ter, só deixamos passar despercebido.

— Eu duvido que não possamos acabar com elas. O que as duas têm aqui em Marbella? ... Ah, claro, aquela boate Belle de Nuit!

Enquanto pensava, Sofia de repente lembrou-se desse detalhe, e seus olhos brilharam.

Ela e Viviane trocaram um olhar. No momento em que os olhos se encontraram, parecia que um feixe de luz as conectava.

A raiva de Viviane transformou-se em um sorriso:

— Como eu não pensei nisso antes? Isso mesmo, vamos atacar por aí!

— Já que a Laís teve a ousadia de mandar incendiar a nossa vila, vamos pagar na mesma moeda...

Sofia completou a frase em perfeita sintonia, e deu um toque sonoro de mãos com Viviane:

— Vamos queimar a Belle de Nuit delas!

Viviane sentiu como se tivesse descoberto um continente novo. Seus olhos cintilaram:

— É possível. Esse plano é perfeitamente possível. Só precisamos inventar uma desculpa brilhante para que eles nunca descubram que fomos nós!

Sofia fez um gesto sombrio de cortar a garganta:

— Isso é fácil. Basta subornar alguém lá de dentro para fazer o serviço. Com dinheiro, até fantasmas trabalham para você.

— Quando a polícia investigar, só vão poder concluir que foi uma briga entre funcionários. Vou mandar alguém descobrir agora mesmo se houve alguma confusão recente entre eles.

Viviane assentiu com firmeza, como se finalmente pudesse respirar após muito tempo prendendo o ar. A esperança raiou no horizonte e a energia guerreira tomou conta dela:

Sofia olhou para Viviane, sentindo-se ainda mais injustiçada. Ela resmungou por um tempo e, finalmente, soltou:

— Não era você que sempre me ameaçava quando eu chorava muito quando criança, dizendo que devia ter me dado mais sonífero para eu não ser tão irritante?

— Eu pensei: se você me deu quando eu era criança e eu não tive nada, o Caio com certeza também ficaria bem...

Viviane cambaleou violentamente, quase desmaiando de raiva.

Ela agarrou a grade com força, batendo o pé no chão com fúria. Demorou um bom tempo até que a opressão no peito aliviasse e ela conseguisse falar:

— Aquilo... aquilo era só para assustar criança, e você acreditou?

— Mesmo se você não fosse a minha filha biológica, eu nunca te daria soníferos! Você é demais! Se você tivesse um pingo de cérebro, pelo menos me perguntava antes! Meu Deus do céu!

Viviane olhou para o neto deitado na cama, sentindo raiva, impotência e pena.

Ela não conseguia parar de pensar que aquele era o bem mais precioso da família Andrade. Com uma atitude dessas, como a família Andrade ia aceitar?

Os pais de Jorge eram tão apegados ao neto e, mesmo com a criança internada, não vieram vê-la. Isso não era um sinal claro de que algo estava errado?

Quanto mais Viviane pensava, mais o pânico tomava conta, e suas palmas se encheram de um suor frio.

E do lado de fora do quarto, uma figura alta e esguia estava de pé há muito tempo. Quanto mais ele ficava lá, mais densa e sombria se tornava a sua aura...

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