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A Segunda Vida da Senhora Laís romance Capítulo 136

Sofia apertou a palma da mão com tanta força que quebrou suas unhas compridas. Havia um ódio tempestuoso e turbulento em seus olhos.

Quando Laís acordou, o céu estava escuro como breu.

Havia uma lâmpada fraca acesa. Assim que se levantou, de repente um estrondo surgiu do lado de fora, soando como um objeto gigante se chocando contra o chão.

Laís se assustou e rapidamente fixou o olhar naquela direção. Para sua surpresa, era Felipe, que havia escorregado da cadeira e caído.

Ela exclamou chocada:

— Por que você ainda não foi embora?

Felipe estava encolhendo sua altura de um metro e noventa naquela cadeira. Não havia dormido nas primeiras horas, mantendo a distância enquanto vigiava em silêncio.

Tinha percebido que estava com a cabeça um pouco atordoada naqueles dias. Mas, observando Laís e a bebê, sentiu que sua mente começava a clarear.

Percebeu que as perturbações do mundo lá fora não importavam. O que importava era a família, que a família se mantivesse em paz juntos, no seu próprio mundo.

Mesmo não fazendo nada além de velar o sono delas, uma sensação de calma e tranquilidade inundava seu ser.

Sua filha parecia o laço que o unia a Laís, unindo-os. Finalmente sentiu essa conexão milagrosa... exatos dois meses após o seu nascimento.

Muitos pensamentos giravam em sua mente.

Tinha muito a dizer a ela.

Sem avançar, em voz muito baixa e amena, disse na porta:

— Laís, calma. A Aline e a Dona Zélia estão dormindo. Podemos ir lá fora conversar um pouco?

O nojo dominou-a de forma implacável e ela sentiu a repulsa tomar conta:

— Não temos nada a dizer, pode ir embora.

Felipe já suspeitava que ela responderia daquela maneira: — Não quer falar sobre o divórcio? Vamos conversar sobre isso.

A palavra "divórcio" provocou algo em Laís.

Afinal, ela queria muito terminar as coisas e apagar o fato de que um dia estiveram juntos.

Tudo o que desejava era, dali em diante, ter uma vida ao lado da filha, onde não seriam afetadas por nenhuma das palavras dele.

Com a expectativa estampada em seu rosto, tirou a coberta e desceu da cama. Sua voz, num tom gélido e calmo, soou:

Felipe, embora extremamente rígido com as demandas de seu trabalho, era excelente no quesito de cuidar dela.

No passado, ele encomendava os mais variados pratos e sabia bem do que ela gostava. Chamava-a para almoçarem juntos, às escondidas, sentando-se lá e observando-a engolir a comida rapidamente.

Na intimidade, a chamava de "fofinha" ou "gordinha". Quando brincava com isso, logo a levantava num grande abraço.

Nesses momentos, cruzava as pernas em torno de sua cintura e ali os dois se beijavam com todo o fervor e paixão.

Toda aquela paixão agora se tornara uma coisa do passado, há muito perdida na história.

Encarando a mesa farta diante de si, Laís fixou a mente nas lembranças, os olhos perdidos em meio a memórias doces.

— Não fique aí parada, gulosa. Venha comer antes que esfrie.

Felipe puxou-a até uma cadeira e serviu o arroz perfumado em uma vasilha, posicionando-a diante dela.

O aroma doce e familiar provinha do arroz jasmim tailandês, que ela amava.

As fragrâncias que ela tanto conhecia instigavam cada pequena papila gustativa.

No fundo, sentia um amor incondicional por comida. E, no momento em que a colher de arroz chegou à sua boca, soube que não conseguiria mais largar o garfo.

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