— Não seja tão infantil, pense bem antes de voltar a falar em divórcio. Eu lhe dou três dias!
Felipe estava com o rosto severo, virou-se e saiu batendo a porta.
O barulho estrondoso acordou a filha que dormia profundamente, e o choro agudo da bebê ecoou pelo quarto em um instante.
Desde o momento em que entrou até agora, ele não havia pensado em olhar para a filha sequer uma vez, e até mesmo ao sair esquecera que havia uma recém-nascida no cômodo.
Laís mordeu o lábio inferior com força, o ódio em seus olhos intensificando-se, enquanto a dor em seu coração se revolvia como uma tempestade.
Naquela noite, Laís rolou de um lado para o outro, incapaz de dormir.
De madrugada, ainda se levantou para amamentar duas vezes.
Ao amanhecer, com olheiras profundas e o corpo inteiro dolorido, ela lutou para sair da cama, mas, de repente, o mundo girou e ela caiu incontrolavelmente.
— Laís!
Carla entrou no quarto exatamente naquele instante e, ao ver a cena, empalideceu de susto, correndo para ampará-la.
— Meu Deus, por que você está tão pálida? A Dona Zélia disse que o Felipe esteve aqui ontem à noite. Aquele desgraçado a aborreceu de novo?
Laís abriu os olhos atordoada, como se houvesse milhares de Carlas girando diante dela:
— Carla... Estou tão tonta.
— Fique calma, eu vou levá-la ao hospital.
Carla estava desesperada, puxando e arrastando-a, até que, por fim, colocou Laís nas costas, conseguindo a muito custo acomodá-la no carro.
Após dirigirem a toda velocidade até o hospital, Laís foi novamente levada à sala de emergência.
Carla olhava para as portas fechadas da emergência, sentindo seu coração queimar de ansiedade.
Aquela mulher tola certamente havia se esgotado durante a gravidez, drenando seu corpo a ponto de chegar àquele estado.
Desde pequena ela tinha a saúde frágil e, todos os anos, sofria com alguma doença grave.
Carla não poupara idas ao hospital para acompanhá-la, mas ela sempre gostava de se fazer de forte, suportando a dor enquanto cerrava os dentes, não importando o quão insuportável fosse.
Quando criança, não contava à mãe quando ficava doente, sempre procurando a companhia de Carla.
Agora que finalmente tinha um marido, ele revelara-se um homem sem empatia, e diante de qualquer problema, ainda era sua melhor amiga quem precisava estar ali para segurar as pontas.
Laís sofria de vertigem desde a infância, e dessa vez era uma recaída da antiga condição.
O médico, que era um conhecido, a examinou, receitou medicamentos e a instalou em um quarto individual para tomar soro.
Carla ajudava Laís a caminhar rumo ao quarto, mas, após poucos passos, uma cena diante delas as fez estancar repentinamente.
Carla esfregou os olhos, incrédula, confirmando repetidas vezes — não havia dúvidas, era Felipe.
Sofia havia tido febre e fora tomar soro, e incrivelmente, Felipe a amparava pessoalmente durante todo o tempo, mesmo havendo duas babás logo atrás dela.
— O Felipe é um canalha! Não cuida da própria esposa, mas tem tanta dedicação pela mulher alheia?
Carla não suportou mais e explodiu em xingamentos.
Ela fez menção de avançar em um ímpeto, mas foi imediatamente puxada por Laís.
— Laís, você não vai dar uma lição nele?
Os pulmões de Carla pareciam prestes a explodir de raiva.
Sendo alguém de fora, ela já estava quase enlouquecendo com as atitudes absurdas de Felipe, imagine então a sua preciosa Laís!
Sempre diziam que uma mulher nos três primeiros anos após dar à luz encontrava-se no auge de sua vulnerabilidade... Aquilo não era nenhuma mentira.

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