Enquanto conversavam em voz baixa, Felipe trocou a fralda da filha com destreza.
Ele levantou o pequeno corpo com extremo cuidado, aninhando-a de volta em seus braços, deixando a cabecinha dela descansar perto de seu peito.
Durante todo o processo, seus olhos não se desviaram da filha por um segundo sequer. A expressão de encanto e paz em seu rosto era, sem dúvida, a de um verdadeiro pai.
Laís observou a cena em silêncio por um momento e, num leve erguer dos lábios, não conseguiu conter um sorriso irônico...
Pelo visto, ele havia praticado bastante na casa de Sofia durante o período de resguardo dela. Aquela sequência de movimentos havia sido tão fluida e natural, sem nenhum traço da hesitação comum a um pai de primeira viagem.
Ao constatar isso, a pequena centelha de ternura que começara a se acender em seu peito se apagou instantaneamente, sendo substituída por um profundo sentimento de nojo e repulsa.
— Você realmente passou a noite inteira aqui? O sol nasceu no oeste hoje?
Laís sentou-se na cama de acompanhante, não conseguindo evitar o tom carregado de sarcasmo.
Felipe, ainda segurando a filha, virou-se rapidamente ao ouvi-la. Ao ver Laís, um sorriso gentil iluminou seu rosto:
— Sim, não dormi a noite toda. Fiquei segurando a nossa filha.
— Eu fiz exames, meu resfriado já passou, pode ficar tranquila. Além disso, eu me desinfetei por completo.
Laís notou as olheiras escuras sob os olhos dele, evidenciando que realmente havia passado a noite em claro.
Dona Zélia comentou com um sorriso:
— A senhora não imagina. Ontem à noite, para que pudesse dormir bem, o Senhor Vasconcelos pegava a menina no colo assim que ela começava a chorar.
— E é engraçado, a menina parava de chorar na mesma hora que ele a pegava. Parece que ela reconhece o pai. Com certeza adoraria que ele a segurasse todos os dias.
Laís franziu a testa instintivamente.
Lá vinha Dona Zélia de novo.
Nos últimos dias, Dona Zélia vivia tentando convencê-la a não se divorciar, a tentar se entender com Felipe e reconstruir a vida a dois, sempre usando provérbios e conselhos sobre casamento.
— Fazendo isso, você quer esfregar a cara da sua mãe no asfalto?
— Felipe, seu...
Cega de fúria, Patrícia disparava ofensas contra Felipe sem parar.
No entanto, antes que o segundo tapa atingisse o rosto dele, Felipe agarrou seu pulso com firmeza.
O rosto de Felipe também se fechou em uma expressão sombria. Ele a encarou com frieza, a voz soando pesada e cortante:
— Mãe, vou dizer isso pela última vez! Ela é minha filha, não uma bastarda, como a senhora a chamou!
— Se a senhora ousar tratar a minha filha assim de novo, não a considerarei mais como minha mãe! Eu cumpro o que prometo. Se duvida, tente a sorte!
O tom de voz de Felipe, embora contido e calmo, emanava um perigo evidente.
Patrícia paralisou. Mal conseguia acreditar que aquelas palavras haviam saído da boca de seu próprio filho!

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