— Irmão, que bom que você conseguiu se tornar tão forte. Senão, eu e a mamãe... Nem imagino por quanto mais sofrimento teríamos de passar.
Uma frase tão simples levou as três pessoas ao limite de seus sentimentos.
Do outro lado da tela, o homem cerrou os cílios enquanto observava, entristecido, as feições exaustas de sua mãe e irmã. Ele exclamou com tom soturno:
— Corri incessantemente em cada segundo que passei afastado de vocês. Tudo isso só para poder me tornar um forte apoio e protetor da minha mãe e irmã. Eu vou cuidar de tudo. Laís, quem for louco o suficiente para ferir vocês receberá uma punição mil vezes pior.
Laís assentiu energicamente com a cabeça, a sua voz anasalada:
— Está certo, irmão. Cuide bem de si mesmo também. Nós ficaremos contando os minutos até a sua volta.
Lídia também não pôde conter os soluços e acenou para o rosto do filho na tela:
— Meu filho, cuide da sua saúde. Não há um dia sequer que eu não pense em você.
— Fique tranquila, eu sei disso.
Bill retribuiu com voz baixa e então desligou a ligação.
Laís guardou o celular e focou calmamente o olhar de Lídia. O seu lado fraco desapareceu num piscar de olhos e foi completamente substituído por uma frieza inabalável.
— Mãe, vou voltar para a Mansão Vasconcelos. Se o Felipe me entregar a Aline, eu poderia, por amor à minha filha, dizer ao meu irmão para poupá-los temporariamente. Mas, se ele for um teimoso estúpido e quiser utilizar a menina como ferramenta de barganha... Não terei piedade de nenhum deles, o Felipe vai saber na própria pele o verdadeiro sabor da punição!
Após engolir às pressas o que viu pela frente para o café da manhã, Laís saiu em direção à porta.
Apenas para se deparar, logo ao abri-la, com um Cullinan familiar estacionado na calçada, cercado por diversos rostos bem conhecidos.
Carla Torres, Jorge Andrade, Gustavo Matos e Guilherme Cardoso. Absolutamente todos estavam lá.
Assustada com a surpresa repentina, Laís caminhou até eles:
Guilherme acertou na ferida perfeitamente ao apontar em um raciocínio lógico:
— O mais difícil a se lidar neste cenário em particular é justamente o seu desejo em criar raízes pela Aline. Seja como for, pelas frestas da lei e da lógica social, ele detém de fato a guarda compartilhada e os seus direitos sobre ela; ou seja, a Laís estaria agindo na ilegalidade se quisesse roubá-la de vez. Sendo assim, a vantagem temporal atual é, com certeza, toda dele.
Sem ter dormido minimamente bem na noite anterior, Laís mantinha olheiras negras escancaradas no rosto, não se importando sequer com a maquiagem; todo o seu encanto minguou em questão de um estalar de dedos.
Ver Laís sofrer com dores incalculáveis partiu o coração de Jorge em mil pedaços.
Dando um suspiro abafado, ele puxou Laís para o lado para se afastarem da vista dos demais presentes.
— Laís, preste atenção nas minhas palavras.
Ele continuou em tom melancólico e gentil, contendo um certo brilho no olhar:
— Você é incrivelmente teimosa, sei disso e que não quer se fazer de fardo para os outros. Mas esta situação é completamente outra. Trata-se da vida da Aline. Você pode contar comigo caso os métodos comuns comecem a não surtir o efeito adequado.

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